16/02/2006
HOSANA NAS ALTURASEstive em Brokeback Mountain e rezei por ti

O blog lança hoje a promoção “Descubra a Brokeback Mountain que existe dentro de você e suba o morro atrás de um novo amor”. Os participantes deverão mandar uma carta com fotos e uma dissertação em primeira pessoa falando de aventuras sexuais proibidas e verídicas. O melhor texto ganha uma viagem inteiramente grátis, com direito a um acompanhante, para qualquer Brokeback Mountain do mundo. Abaixo, as sugestões da minha agente de viagens, Sueni Pereira. O prêmio inclui também hospedagem em barracas de camping impermeáveis, traslado hotel-morro-hotel e roupas da nova coleção western vintage da Wrangler. Cavalos, refeições e frigobar serão cobrados à parte.
Brokeback Mountain Rio (promo pague 1 leve dois acompanhantes)

Brokeback Mountain Oriente

Brokeback Mountain Hollywood

Brokeback Mountain África

Brokeback Mountain Alpes

Brokeback Mountain Cape Town

Brokeback Mountain Itália

Brokeback Mountain Hawaii (poucas vagas)
15/02/2006
ESQUENTANDO OS TAMBORINSO Carnaval se aproxima. Em Friburgo, o cozinheiro de um hotel-fazenda decepou o rabo de um cavalo de raça para fazer uma peruca para desfilar no bloco de sua cidade. O animal é um campolina, avaliado em R$ 50 mil. O culpado se chama Eduardo Pereira da Silva. Seu nome de guerra é Malu e sua presença está confirmada na Banda de Ipanema.

O cozinheiro Malu é presença confirmada na Banda de Ipanema
Enquanto isso, no Rio, turistas gays, lésbicas, simpatizantes, transgêneros, transgênicos, hortifrutigranjeiros e fãs de O.C chegam aos quilos para mais uma temporada de samba, suor e ouriço. Como o sol brilha para todos – embora faça sombra na cabeça de uma maioria expressiva –, a praia será mais uma vez o grande ponto de encontro da grande festa da carne. Filés, chãs de dentro, patinhos e lagartos vão estender suas cangas de bali nas areias de Ipanema com vista para Brokeback Mountain.

Vista do morro Brokeback, no Rio, o buraco quente do Carnaval
FRASE DO DIA“Eu não quero tocar em você, oh baby” (Yahoo, a capela)
14/02/2006
FAROESTE CABOCLOAssisti Brokeback Mountain e saí do cinema me sentindo insensível e irritado. Fiquei horas pensando no filme, muito mais do que costumava gastar nos tempos da faculdade quando via repetidas vezes a cenas de
Terra em Transe para dizer à patrulha ideológica da PUC que havia entendido tudo. Sobre
Terra em Transe: nunca entendi nada, mas aposto que meus amigos hippies também não – só que ninguém assumia. Agora eu assumo: não entendi nada de Brokeback, se é que tinha alguma coisa para se entender ali.
Até onde eu sei, o filme fala de uma história de amor impossível e que só se consumava no inverno e a temperaturas proibitivas. Que o casal gay de Ang Lee vivia uma relação quente nas montanhas frias do Wyoming. E aí? Para ser conivente com os militantes gays, procurei tratar o caso de Jack e Del Mar de maneira natural e sem relevar nada pelo fato de serem homossexuais. E o que resta do filme então? Fotografia e ângulos orientais, closes e luzes já testados em
Razão e Sensibilidade e
O Tigre e o Dragão.
Foram duas horas de lentidão, melancolia western e romance gay na tela e fora dela: o Espaço Unibanco do Shopping Frei Caneca, em São Paulo, era pura emoção, um dark room em horário alternativo. Beijos e abraços apertados, lágrimas e comentários do tipo este-filme-é-a-minha-cara. Tenho preguiça de filmes-tendência e morri de medo de deixar o cinema àquela altura. Era gente saindo pelo ladrão, pessoas à espera de um romance frio no calor de um verão paulistano.

O segredo de Brokeback Mountain está no amor
13/02/2006
DIZ QUE EU NÃO ESTOUO episódio do blog de hoje vai falar de uma profissão bem moderna e mal remunerada: empresário de atores em início de carreira. Sempre atrás de seus clientes, sempre querendo estar por baixo dos clientes – no sentido lubrificado da palavra – e sempre perto de seus clientes até nas horas mais difíceis (como, por exemplo, nas presenças na festa agropecuária de Anápolis), os empresários, além de pagar as contas de luz, gás e passear com os cachorros de seus donos, também acumulam funções. Eis:
. Babá
. Saco de pancada
. Conselheiro genérico
. Amigo da onça
. Personal qualquer coisa
. Secretária eletrônica
. Fax
Como a profissão tem alta cotação no baixo mercado de celebridades, a rotatividade é imensa e o nicho, vamos dizer assim, possui uma demanda que está sempre atrás da melhor oferta. Pode ser dinheiro, gorjeta, cacos de atenção e até mesmo, vejam só, uma permuta na pizzaria Capricciosa ou na academia Body Tech. Quando demitidos, eles vão à imprensa e falam tudo o que sabem. Como nunca sabem de nada, acabam dizendo que foram amantes inconfidentes de seus antigos clientes. Segundo a psicóloga vegetariana C.S.P, que largou tudo para viver apenas do que planta em seu minifúndio assentado no interior de Goiás, os empresários de artistas são fãs apaixonados que vivem à sombra de quem tem luz. Projetam suas frustrações e promovem churrascos em Maricá. Segundo C., tudo se explica no churrasco. “É quando eles se sentem carne de primeira”, disse, nas entrelinhas.
10/02/2006
MORA NA FILOSOFIANizan Guanaes virou professor de candomblé. Suas aulas acontecem a partir de abril, na Casa do Saber, em São Paulo. Para quem não sabe, a Casa do Saber é um centro de estudos onde o interessado pode aprender tudo sobre filosofia, religião, literatura, física, história e arte em apenas quatro encontros. Os cursos são intensivos. Por apenas R$ 320 eles passam a ter assunto nas rodas de conversa no café da moda, nas festas no Jardim Europa e o mais importante: podem sair por aí dizendo que têm conteúdo.
É nova mania entre os modernos dizer que está em busca de seu eu interior. Cada vez mais pessoas se encontram para, digamos, estudar. Na Casa do Saber, por exemplo, o curso “Sentido da Existência” aborda a questão “O que é existir?” Diz a ementa: “Essa questão, essencial para a filosofia e para a existência humana, é abordada à luz do pensamento de quatro grandes filósofos: Pascal, Kierkegaard, Heidegger e Sartre.