08/06/2006
LEMBRA DE MIM
Costumo dormir cedo por achar que nada nem ninguém pode ser melhor que uma boa noite de sono. Mas ontem fui acordado com um telefonema do meu amigo Fabio Bibancos, que assistia ao lado da mulher, Miriam, e do filho, Bernardo, um programa do SBT chamado Rei Majestade. A atração consiste em ressuscitar antigos cantores brasileiros que, por razões óbvias, estão fora do mercado desde o advento do LP em 34 rotações. Silvio Santos é o meu ídolo, preciso assumir. O único, que fique claro. Silvio está vivo e mantém a mesma cara de síndico desde os tempos de Domingo no Parque e do tênis Montreal.
Bem, graças a Silvio tive a oportunidade de rever números musicais de Jane e Herondi, Fernando Mendes e Tito Madi – pessoas que você, querido internauta, não deve sequer conhecer. Eu sei quem são porque desde criança cultivo em mim um espírito suíno latente e hiperativo. Mas isso não vem ao caso. O que percebi, ao acompanhar Rei Majestade, é que o mundo das celebridades é terrivelmente cruel – assim como Silvio Santos, que manda a platéia levantar-se a toda hora para dançar e rodar em frente as suas cadeiras. Nenhum outro meio é mais volúvel que o da música popular. Mais, até, que o de atores e atrizes – se bem que faz um tempão que não tenho notícias de Bia Seidl, Nina de Pádua, Ricardo Macchi, Marcélia Cartaxo, Georgia Gomide, Cristina Mullins e Renée de Vielmond.
Antes de chamar os artistas ao palco, Silvio fez questão de mostrar o dia-a-dia dos ídolos do passado, o que me deprimiu imenso. Descobri que Jane, por exemplo, além de estar desquitada de Herondi, é assessora de imprensa de restaurantes. E que Fernando Mendes cultiva um sarará hidratado no Yamasterol em homenagem a Luiz Caldas, que também sumiu do mapa sem deixar vestígios.
Agora vamos olhar para frente. O que será que o futuro reserva para os ídolos de agora com sérias tendências a cairem no esquecimento? Quem fim o destino traçou para nomes como Kelly Key, Latino, Jorge Vercilo, Bruno e Marrone, Vanessa da Mata, Pato Fu, Pitty, Charlie Brown Jr, Jota Quest, Marcelo D2, Babado Novo, Ana Carolina, Seu Jorge e Wanessa Camargo? Será que duram muito tempo? Será que o fim anunciado está próximo? Acredito piamente na evolução do ser humano e da música. É o que me faz ter a certeza que, assim como novos ‘talentos’, a MPB é capaz de produzir um exército de desertores sem precedentes na história.
Exemplos? Biafra, Trio Los Angeles, Eliana Pittman, Eliana de Lima, Sara Jane, Perla, Sula Miranda, Gretchen, Dominó, Ultraje a Rigor, Biquíni Cavadão, Ira, Engenheiros do Hawaii, Astronauta de Mármore, Metrô, Placa Luminosa, Angel, Violeta Genciana, Picassos Falsos, Inimigos do Rei, Marina Lima, Gilmelândia, Jane Du Boc, Kiko Zambianki, Lobão, Baby do Brasil, Flavio Venturini, Lô Borges, Armandinho, Abelhudos, Tetê Espíndola, Bonde do Tigrão, Padre Marcelo Rossi, Tati Quebra-Barraco, Tiririca, Banana Split, Axé Blonde, Mauricio Mattar, Dado Dolabella, Wanderléia, Martinha, José Augusto, Gilliard, Erasmo Carlos...