27/06/2006
MAS É PRECISO TER GANA, SEMPRE?
Quem ganha? Brasil ou Gana? Lá na África, os tambores avisam que vai dar Gana de goleada. Pelo menos foi o que disseram os mediúnicos de plantão em todos os terreiros de Accra, a capital do país. Sim, o candomblé é tão onipresente no outro lado do Atlântico quanto por aqui. Segundo os freqüentadores e simpatizantes ganenses, um bom ebó à moda da casa vai despachar o Brasil da Copa e garantir a vaga para a seleção afro de penteado reggae.
Se der Gana, vai ser a maior zebra. E eles se encaixam como ninguém neste papel tão, digamos, savânico. Mas se galinha preta e farofa desse resultado a Bahia estaria as mil maravilhas – e os baianos, todos ricos. E Luiz Caldas estaria no topo das paradas musicais, e ACM seria presidente, e Nizan Guanaes... bem, deixa pra lá. Por isso, estou incrédulo no que diz respeito ao jogo de hoje – religiosamente falando, que fique claro.
Não duvido do poder de uma arriada completa, nem de um frango em tempo regulamentar, tenho minhas reservas em relação a encruzilhadas e vendedoras de artigos macumbeiros. Inclusive conheço casos de pessoas que trouxeram a pessoa amada em sete dias – mais na marra que na reza, é verdade. Aliás, uma dúvida: a mãe Sissinha de Obaluê, que opera no eixo Tatuapé-Vila Carrão, em São Paulo, traz a pessoa amada, mas será que garante uma recíproca verdadeira? Haja canjica, vela e ovo cozido. No Rio, mãe Valéria de Oxossi avisa que se pessoa amada não aparecer, ela devolve o dinheiro.
É isso aí, satisfação garantida ou seu despacho de volta. Bate macumba. E se o dia de hoje será resolvido na macumba, vamos ver se os baianos fazem alguma coisa por nós e começam a bater esse tambor já nas primeiras horas do dia.
Não percam amanhã: Grupo Gay da Bahia protesta contra a decisão de Madonna de cancelar seus shows no Brasil. Alguém chama o Giovani.
Arre, arreia, arre, rei, rei, rei...