19/07/2006
CASO SÉRIO

Afinal, Thammy Tonhão é gay? A filha de Gretchen gosta ou não gosta de mulheres? Seria seu look Alexandre Frota apenas uma provocação ou crachá de sapatão? O que pensa sua mãe sobre o caso? Thammy está perdida? É entendida? É chegada numa perseguida? Está toda caída? Sabe o quer da vida? É apegada no vício da bebida? Com a polêmica, Thammy sumiu de circulação, cancelou sua participação no 7º Encontro Nacional dos Jogadores de Bilhar e reassumiu a retaguarda – no sentido figurado, claro, afinal quem entende de retaguarda na família é a Dona Gretchen, a bunda mais GLS do país.

A polêmica envolvendo Thammy começou com uma singela, porém máscula, foto em seu site íntimo no Orkut ao lado de um tipão mal encarado chamado ‘Dona Encrenca’. A legenda levantou suspeitas, já a imagem valeu por mil palavras. Apesar disso, Gretchen negou as acusações e disse que a filha está serena e feliz, recebendo todo o carinho dos pais. E mais: “Está tudo ótimo, minha filha está muito bem”. Ou seja, na cabeça de Gretchen Thammy é hetero e, portanto, não sofre de nenhuma alteração de comportamento ou mental.

Somos apenas bons amigos.
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18/07/2006
PISO EM FALSO

O mundo da moda acordou com o pé esquerdo. Ontem, a diretora da Vogue quebrou o pé a caminho de um dos desfiles do São Paulo Fashion Week. Patricia Carta será operada no Albert Einstein e em poucos dias voltará a calçar seus bons e novos Pradas. Curioso é que semanas antes do início do evento, outra jornalista, Regina Guerreiro, sofreu o mesmo acidente e coincidentemente no mesmo pé.

Levando em conta que alguns estilistas que se apresentam na temporada estiveram recentemente na África a fim de inspirar-se para as coleções, penso alto se pelo menos dois deles não aproveitaram a excursão para fazer uma macumba rápida contra aquelas que um dia, assim como eu, questionaram o trabalho destes que até agora não apresentaram nada de relevante nas passarelas.

Desconfio que um tamborzinho, três velas, meio quilo de pipoca e uma galinha preta, cor que é tendência, tirou do circuito dois dos maiores nomes da imprensa frufru. Hoje é o último dia de apresentações. Cuidado por onde pisa, darling.

Acho gesso super démodé.
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17/07/2006
CROSSOVER

Não há crônica ou conto que me divirta mais que críticas de desfile de moda. Se não conhecesse as pessoas que as escrevem diria tratar-se de bons escritores, poetas remanescentes do concretismo ou do construtivismo.

O mais gostoso disso tudo é que eles são reais, os jornalistas e seus textos. Não tive forças físicas e preparo psicológico para aparecer no cenário mico-africano de Paulo Borges, mas não perdi um dia sequer da semana de moda fashion week via web.

É preciso estar antenado, não é mesmo pessoal? E também avonts e descolado, mas algo me diz que esse papo tendência não cola. Por isso, troquei uma sala de desfiles pela minha sala de estar e descobri novas maravilhas no You Tube – como Mara Maravilha cantando no programa Milk Shake, com Angélica embrulhada num vestido lameado (nada muito diferente do vestido por ela nos 15 minutos de Carlos Tufvesson).

Enfim, antes do fim do evento multiétnico e racial tomei a iniciativa de destacar algumas pérolas do nosso jornalismo de moda. Promoção absurdinha: juntando as frases, você compõe automaticamente uma música para o novo disco de Arnaldo Antunes.

“O transe universalizado é convite para uma viagem lisérgica e multiétnica.”

“Manifesto de resgate memórias perdidas, emoções roubadas, sensações de opostos, jogos de esconder e revelar.”

“Exercícios de edição e montação na passarela, ainda mais que o mote aqui é o minimalismo vigente.”

“Resposta fashion às notícias trágicas dos jornais com uma coleção que usa o conceito contemporâneo de bem-estar como mote.”

“O ato é acertaderrerézimo.”

“Acionam o fundamentinho Devendra Banhart.”

“Um descompromisso de alma hippie.”

“Vem mais afiado do que nunca, enterrando a imagem fragmentada.”

“Impressiona por conjugar os valores desta nova elegância.”

“Acerta na contenção das formas.”

“A sequência de looks é um megamix das paixões.”

“As referências borbulham no caldeirão com fragmentos barrocos.”

“O forte da coleção são justamente essas peças que dialogam com o hoje.”

“É a essência da performance.”

“Um bucolismo às avessas.”

“Um perfume de romantismo que passou.”

“Colocam a gente com um pé numa realidade mais cósmica.”

“A liberdade proposta foi exagerada e deixou a coleção sem unidade.”

“Dentro dessa leitura conferem elegância e androginia ao look.”

“Renova seu repertório com tendencinhas e uso de cores fortes e novos materiais.”

“Motivada por um crossover, a estilista apresenta uma coleção com minimalismo de idéias e sem emoção.”

“O estilo justapõe peças de noite, praia ou activewear, e tem caimento contemporâneo.”

“Os exercícios no feminino estão mais fortes, mas quando se envolve na estética do olhar são desejáveis.”

“A apresentação foi longa, com edição burocrática, blocada por cores e peças corseletadas.”

“Há um grito preso na garganta. Uma vontade de quebrar as regras. Uma paixão desenfreada pela moda.”

“Seu look mais basiquinho é sessentinha, com luvinhas, amplos e macaquinho com capuz, estampinha listradinha, batinhas soltas e vestidinhos tropicais fofolitos.”

“Consegue emprestar seu desejo de lifestyle relax aos looks que chegarão à vida real mais arrumadinhos.”

“Africanismos, proporções e comprimentos estão mais leves e completam uma cartela de naturais, que pode vir vazado a laser.”

“A leitura da tendência bucólica e romântica, quase folk, e um vídeo lisérgico ao fundo.”

O preto e branco é a vedete. Ninguém me contou, eu mesma vi. Thanks, M. Mendes
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14/07/2006
PÔR-DO-SOL

Ontem, o Brasil recebeu (com festa, dizem os sites) a mascote do Pan 2007. Presidente, governadora e desocupados em geral de terno fora de medida foram até o Rio para conhecer o símbolo dos jogos. Inspirada no sol, ela, a mascote, foi criada por uma equipe de designers que venceu uma concorrência realizada entre escritórios de todo país.

Seu nome será escolhido democraticamente pelo povo, via Internet, e há três opções: Cauê, Luca e Kuará – sim, eu sei, as sugestões ficaram restritas e em quaisquer das hipóteses teremos uma mascote com nome de filho de atriz-revelação. Mas imaginem se os organizadores dessem ao público o livre arbítrio para batizar a criatura? Pensem num sol chamado Katyelle, Shayenny, Ludielle e Graciane?

Por que toda mascote tem que ter cabeção?

Vamos a outros fatos: a tal solzinho (vamos chamá-la assim, por enquanto), parece mascote de parque aquático de Fortaleza – ou campanha de supermercado de balneário. E olha que teve uma equipe inteira, vencedora de concurso, trabalhando em cima. Tudo para chegar ao resultado que você, que já deve ter passado por posto de gasolina a caminho de Cabo Frio ou Guarujá, já desenhava desde os tempos de escola experimental. Bem, a equipe de designers apresentou a mascote na noite de ontem depois de, dizem eles, desenvolver uma série de esboços. Eu ainda acho que, seja Cauê, Luca ou Kuará, este solzinho ta com cara de rascunho.

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13/07/2006
ME CHAMA, ME CHAMA

Que São Paulo Borges Week que nada. Em plena semana de moda hype-avonts-absurdinho, a tendência vem das ruas e não das passarelas. Enquanto na Bienal discute-se o fashion ‘lisérgico’ e ‘multiétnico’, lá fora fala-se da precisão incendiária dos bandidos mais descolados do Hemisfério Sul.

Mais uma vez o PCC abalou São Paulo em chamas e promete incendiar também a próxima temporada com performances por toda periferia e, quem sabe, no mainstream. Enquanto isso, uns se beliscam por um lugar na primeira fila e outros se espremem para não chegar por último no trabalho.

Agora aguardo pelo próximo desfile de protesto, com artistas e modelos vestidos de preto pedindo pelo fim da violência. Até lá, acompanho à distância o trabalho e os aplausos aos novos designers – os terroristas da moda. E que venha o verão.


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www.ego.com.br Todos os dias, em caráter excepcional, críticas construtivas e crônicas destrutivas do mundo moderno na visão de Hermés Galvão, um jornalista antiquado.
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