24/08/2006
ALÉM-MAR, ALÉM TEJO

Fazia cinco anos que não aparecia em Lisboa e há tempos não repousava em uma cidade tão cheia de luz e de vida. A melancolia lusófona de outrora hoje se resume, quase que apenas, às casas de fado e a uma certa tendinha sonora oportunamente batizada de Amalia Discos. Desde já o tom de voz é outro, mais grave e bravo como os vizinhos espanhóis. Fala-se alto, muito de futuro; verdade que ainda costumam vangloriar-se de um passado vencedor (com paciência, é possível ouvir confissões orgulhosas a respeito da ‘descoberta’), mas o amanhã é mais presente que o particípio de ontem.

De saudosistas a progressistas em três tempos, com um porém: corre no ar, aos quatro ventos, uma levíssima vocação xenófoba – nada muito diferente dos demais participantes da comunidade européia e, se os lusos tanto sonham com uma homogeneização cultural, está aí o primeiro ponto em comum. Mas o retrocesso fica restrito às questões raciais e, obviamente, sociais. Como parisienses, londrinos, romanos ou madrilenhos, os lisboetas não gostam de pobres.

Acho que nós, brasileiros, somos o único povo a gostá-los, talvez porque sempre tivemos que lidar com as carências. E faltas. De dinheiro, de vergonha, de infra, de estrutura. E foi aí, neste pobre país tão difícil de gostar, que os portugueses pobres um dia chegaram e encontraram o que os brasileiros pobres de hoje não encontram por aqui. Mas os tempos são outros... e talvez eu também não iria gostar de os receber.
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23/08/2006
AI, MOURARIA

Desculpem a demora, queridos leitores. Estou em Portugal. Consegui instalar-me em endereço seguro e fresco, longe dos temperos fadistas do Bairro Alto e adjacências. Lisboa tem, para mim, um cheiro anacrônico, é como se a cidade passasse a vida de frente para o Tejo e de costas para a Europa; parece que o tempo aqui custa a passar de acordo com as horas, é como se todos os relógios resolvessem parar de modo a ignorar os ponteiros das igrejas e relógios de ouro tão desejados pelos velhos descobridores.

A paixão pelo mar ainda pulsa, ora pois. Nas praias e braços de rio, vê-se senhorinhas de buço e senhores sem dentes a banhar-se como nos tempos de Maria, a Louca. Toucas e fatos maiores dividem espaço com as novatas lisboetas tão de acordo com as tendências do verão mediterrânico. A cidade respira outra vez, embora ainda precise de aparelhos: guindastes e canteiros de obras avisam que a pequena metrópole tem de crescer – e precisa.

Acredita-se numa integração continental, muito embora seja nítido, para quem vê de fora, que é necessário muito mais que um moeda comum para levar Portugal ao encontro da Europa, tão cansada e aborrecida de tudo e de todos. Eles, os portugueses, talvez não saibam, mas o que faz deles muito melhores que todos os vizinhos certamente é o fato de estarem muito mais perto de uma América perfeita do que de uma Europa gripada.

Há desafios neste país, vontade de torná-lo algo tão grandioso como nos tempos de Vasco de Gama e Camões. Não que eles ainda naveguem, mas ainda vivem a descobrir novos horizontes – ainda que estes estejam dentro deles mesmos.
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21/08/2006
FAMA

De todos os meus medos, o maior deles é o de me tornar popular. Ou pior, ser popularizado. Tenho horror a consagração pública, tenho urticária só de imaginar uma fotografia minha presa a uma parede doméstica – ou pensar na hipótese de autografar uma camiseta suada a perfume Boticário. A meu ver, a fama deprecia, degenera. Difama. Como não corro o menor risco de um dia me tornar famoso, posso dizer que despontei para o anonimato e vivo atualmente o auge da minha carreira de zé ninguém.

Mas sou famoso, até certo ponto. E este ponto vai até o final da minha rua. Sou super conhecido na área pelos motoristas de táxi que fazem ponto em frente ao meu prédio, pelos jornaleiros do bairro e, desconfio, pelo vizinho de cima que passou a me olhar diferente desde o dia em que desci de pijama para comprar cerveja na padaria aqui ao lado – a propósito, não fui reconhecido por ninguém no trajeto entre meu quarto e o freezer. E dois quarteirões depois, lá estou eu: um famoso quem. E voltar a se sentir mais um anônimo me faz lembrar que sou especial por isso, é uma liberdade permanente em meio a tanta gente provisória. É experimentar o que a vida me deu de melhor: o descaso comigo mesmo.

E no caminho para o trabalho, no compasso de tantos outros desconhecidos que correm para começar o expediente, vem à cabeça algumas perguntas e respostas matutinas: ser um famoso perseguido ou um anônimo assumido? Revelado ou esquecido? Descoberto ou entendido? Ser conhecido ou se conhecer melhor? Torna-se uma celebridade é padecer no bairro Paraíso; é cair na boca do povo, este lugar comum sem endereço fixo. Fãs passam a maior parte do tempo querendo saber como ídolos são por trás da fama e morrem sem acreditar que suas vidas, em termos de ficção, são muito mais verossímeis que a realidade dos astros.

Uma das coisas a serem entendidas sobre a fama é que o fracasso depende muito de quem o vê – que o anonimato venha, então, de onde a gente menos espera. E ser famoso tem lá as suas vantagens: ontem eu pendurei a conta na padaria.

Ah, estou de férias a contar de hoje. Vou para um lugar onde ninguém me conhece – nem mesmo o jornaleiro. Mandarei notícias.

Don't you know who I am?
Remember my name (Fame)
I'm gonna live forever…
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18/08/2006
A AJUDANTE DO MÁGICO - UM CONTO

Nem estava tão cheio como o palhaço imaginara, mas, aos poucos, crianças e mães iam se acomodando nos bancos de ferro enquanto pais equilibravam churros e groselhas nas mãos. Era o último dia do circo.

Um menino de buço olhava pelo furo da lona a morena despindo-se de gente e jamais quis que aquele espetáculo começasse algum dia. Era, ela, a ajudante do mágico. Nascida no banco de trás da jaula do leão, cresceu entre ciganos duvidosos que tocavam o Gran Cirque Jolie pelas pequenas cidades.

Queria, ela, ser bailarina, mas faltava-lhe graça de magrinha e, por indicação da trapezista, foi lançada nas mãos do ilusionista Bartô. Desde os treze dividia o trailer e aos quinze aprendera a ser esposa. Nesse meio tempo foi treinada para ser a ajudante do mágico.

E o circo começou, então. Famílias russas no trampolim, trapézio, o mágico e sua ajudante. E veio: maiô brilhante, batom borrado e um sorriso amarelo cansado dos velhos truques do marido mágico.

Bem, lá estava ela: pé direito adiantado e olho vivo nas pombas brancas. Facadas na caixa, serrote e roleta russa – somente em dias de estréia ou na presença do prefeito (às vezes dava errado). Era, ela, a ajudante do mágico mas este nunca fizera uma para ela.

No último dia de apresentação naquela cidade, ela, a ajudante, enxotou pombas e lenços no chapéu do marido e, de maiô dourado, deixou o circo para nunca mais brilhar. No dia seguinte, taparam o buraco da lona.
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17/08/2006
EXTRA, EXTRA

Vivemos num país sem boas notícias, numa sociedade sem lead e numa rotina sem exclusividade. O dia-a-dia do brasileiro é uma sucessão de clichês em texto corrido; se fôssemos um periódico, seríamos o Jornal do Brasil: falido, retrógado e calculado sobre idéias rasteiras e pautas batidas.

Falta assunto nas rodas de conversa, falta diálogo nos grupos de amigos, falta interesse em conhecermos uns aos outros, falta inteligência para entender melhor o que queremos dizer. Falta tudo por aqui, falta, inclusive, motivos que me façam correr às bancas atrás de manchetes que acompanhem o meu café com leite.

Colunas sociais parecem colagem de jornal de bairro, seus personagens parecem saídos de uma festa de fim de ano dos contadores de Osasco, cronistas preferem falar de suas vidas à discutir comportamentos alheios – o que interessa saber se a gordinha editora anda infeliz com a cor de suas paredes? – e cada vez mais jornalistas surgem com pinta de críticos de música, editores de moda e o pior: repórteres de celebridades. Mudar de de profissão ou mudar de ambição? Vamos mudar de assunto.

Sorry, periferia.
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16/08/2006
SHOW MARAVILHA

Londres se prepara para mais atentado aterrorizante. Mara Maravilha, a crente que é cantora infantil, desembarca na capital inglesa no dia 30 de agosto para participar de uma conferência de casais evangélicos. Atenção Scotland Yard: a brasileira levará na bagagem seu último CD de música gospel, uma bomba capaz de estourar os tímpanos da mais desafinada das criaturas.

Soube através de meu correspondente não correspondido que será a segunda vez que a ex-capa da Playboy vai confirmar a fé diante dos ingleses. Como é que a polícia permitiu a entrada de Vara Virilha no país? Como posso acreditar na competência da imigração britânica se ela carimbou o passaporte de uma das mais procuradas, porém repetidas, figurinhas do álbum premiado de Edir Macedo?

Mara, assim como outros ex-famosos esquecidos e perdidos, encontrou no que acredita ser Jesus a luz que faltava para iluminar o caminho de sua vida – e de um show, claro, afinal os holofotes divinos do Teatro SBT deixaram de brilhar para ela já faz um tempão. Repare que todos os artistas deixados de lado tornaram-se evangélicos na esperança de sair da sombra e reencontrar um sentido para suas carreiras desandadas. Talvez no mundo paralelo que é o universo evangélico eles tenham uma função, digamos, artística capaz de atrair fãs e, óbvio, angariar fundos para a reforma da piscina de suas casas em Alphaville.

Deus é 10, mas não faz milagre, portanto tudo me leva a crer que nem a mais forte das rezas seria capaz de trazer de volta a fama e o dinheiro que num passado remoto as fizeram esquecer os dez mandamentos e entrar de cabeça nos sete pecados capitais. Hoje todos estão curados, dizem. Eu acho ótimo, que a paz reine em seus lares e que, como diz Mara Maravilhosa, que Jesus reine 100% em seu coração. Mas não me venha pregar o Evangelho até a página 3.

Não faz mal, eu tô carente mas eu tô legal.
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15/08/2006
SORRIA, MEU BEM

Ontem, um marginal metido a terrorista tentou explodir uma bomba em uma agência bancária de São Paulo. Não deu certo: o rapaz se atrapalhou e acabou ativando o explosivo junto ao próprio corpo – sorte a dele que a joça, além de ser de fabricação caseira, era de fundo de quintal. A tentativa incendiária do caipira da quadrilha não passou de festa junina fora de hora.

Nem para terrorista esses bandidos têm competência, aliás somos um povo incompetente em todas as áreas. Somos um fracasso em tudo que fazemos. Nunca ganhamos um Nobel, nem um Oscar; há tempos não temos novos nomes de peso na literatura, artes plásticas, cinema, televisão, esportes, moda, música ou ciência.

O que temos de bom está velho, e os poucos velhos que resistem estão antiquados. Desde o modernismo não se constrói nada de relevante, a arquitetura de hoje é um aborto de concreto e blindex, caixotes ou réplicas de palacetes batizados com nomes próprios de lugares que seus moradores sequer sabem apontar no mapa: Mansão de Racine, Paço de Sintra, Riviera dei Fiori, Chateau Chantilly, Palais de Versailles ou Spring Tower: tudo dois quartos com vista para os fundilhos do vizinho.

Somos uma nação sem senso de humor, nos levamos a sério e somos incapazes de rir de nós mesmos. Um povo sem graça é um povo sem alma. E o que dizem de nós pelo mundo talvez não esteja tão distante da realidade de hoje, mudar o juízo que fazem da gente não é um desafio para a próxima geração – mas para outra encarnação. Como não acredito em vida após a morte, fico com a certeza de que vou levar desta vida apenas a vida que escolhi levar. E quando morrer vou ter saudades de mim. Vou seguir adiante e é nesta que eu vou. Quer saber? Tô rindo até agora.

Qual é a graça?
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14/08/2006
DIVISÃO DE BENS

Já disse uma vez que sou simpático à causa separatista, e que o Brasil é grande demais para nós dois. Somos um país desintegrado, desunido e naturalmente desumano – dizem que é cultural. Nada me leva a crer que um paraense tem as mesmas aspirações e inspirações que uma baiana; fora a novela das oito, o que existe em comum nas vidas de um gaúcho e de um goiano? Temos diferenças, queremos coisas diferentes e temos outras necessidades.

Diz a Veja que os votos do eleitorado nordestino vão definir o nome do próximo presidente. E nós aqui, que não temos nada a ver com o Nordeste, vamos entubar mais quatro anos de falcatrua de Lula e seus 400 ladrões. Não gosto do Nordeste, nunca gostei. Da comida à música, passando pelos políticos e pelas cidades, quase tudo é ilegal, imoral e engorda.

Acarajé, Geraldo e Denilma Bulhões, Ivete Sangalo, PC Farias, Gilberto Gil, Corredor da Vitória, José Genoíno, Tom Cavalcanti, Raul Seixas, Família Collor de Mello, Axé Music, Mão Santa, Recife, Severino Cavalcanti, Carla Perez, Daniela Mercury, Família Sarney, Antônio Carlos Magalhães, Xanddy, Família Jereissati, Carlinhos Brown, Carnaval de Salvador, Vatapá, Luis Inácio Lula da Silva, Edison Lobão, Rosane Malta (de Canapi), Renan Calheiros e muito, muito mais. Se o Nordeste gosta tanto de Lula, pois então que fiquem com ele. E com Heloisa Helena.

Vá de branco, meu rei.
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11/08/2006
SARAVÁ

Vossuncê Luana Piovani tá cum incosto. Anda deveno coisa pu santu e devi di pagá pa num tê mais apurrinhação. Onti si involveu num acidente di carro em Sum Paulo e quase atropelou uma erê. Sorte foi da erê qui tem santo forti. Minina Luana tá com os ómi errado também, perdeu namorado bom, pegô coisa feia Mansur, fez reza forte pa trazê a pessoa amada em três dia e acabô levano toco du novo namorado exu, qui tava di graça com a minina da novela ruim apegada no viço da bibida. Pizindim Luana tem qui arriá dispacho pa afastá mau oiado e projeto pra teatro ruim. Devi pará di namorá Dado e evitá saí na rua vestida de atriz cabeça. Luana tá carregada, mas tem trabaio bom qui os santo vai ajudá a fazê. Si mizifi Preta Gil tamén quisé fazê, podi chamá. Esse dispacho é pa quem se acha, mas nunca se encontra na vida. Epa hei.

Ingredientes:

- 1 Caldo Knorr sabor galinha
- 1 Bebel Lobo
- 1 Ritz Burger ao ponto
- 2 Releituras de Nelson Rodrigues
- ½ Dúzia de ovos cozidos ao ponto poché
- 1 Release de assessoria de imprensa
- 2 Pacotes de farofa semipronta Yoki
- 1 Mailing de Alicinha Cavalcanti
- 1 Lata de azeite Pepita Rodrigues
- Todo o guarda-roupa de Preta Gil

Como fazer:
Convide Bebel Lobo para preparar o trabalho. Numa panela industrial, coloque o azeite Pepita juntamente com o caldo Knorr. Em seguida, frite as peças do guarda-roupa de Preta Gil até queimá-las por inteiro. Abaixe o fogo, jogue os ovos cozidos e a farofa semipronta aos poucos. Feche a tampa da panela e comece uma leitura dinâmica de Boca de Ouro ou A Falecida. Convide o mailing B de Alicinha Cavalcanti e diga a eles que a peça está em captação de recursos. Se der fome, peça um Ritz Burger. O release da assessoria de imprensa é para acender o fogão, na falta de um fósforo.

Hoje é dia de branco. Epa Babá.
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10/08/2006
GENÉTICA

Costumo marcar minhas consultas médicas sempre às quartas-feiras só para ler a Caras. Assim, além de tentar domar minha fobia por doenças, fico por dentro da rotina dos quase ricos e famosos. Mais que hipocondríaco, sou maníaco pela vida alheia – veja bem, pouco me interessa o que você anda fazendo em Moema, qual karaokê freqüenta ou quantos laxantes precisou tomar para entrar neste tubinho de crepe (de seda): gosto mesmo é de ver até que ponto as pessoas públicas fazem com elas mesmas para aparecer na revistas.

Minha curiosidade é proporcional ao nível de exposição de uma celebridade, donde se conclui que a vida de Malu Mader, por exemplo, neste ponto de vista, não me diz nada. Por isso minhas palmas sinceras a ela. Sem a existência de Caras, minha vida na sala de espera seria um eterno jogo de palavras cruzadas da Contigo!, ou pior: Reader’s Digest.

Graças a Caras, fico sabendo semanalmente como e por onde anda a família de Tom Cavalcanti (a propósito, está no México curtindo um pacote bem cearense à beira do Pacífico), que só perde em superexposição para a família de César Filho e Elaine Mickelly. A última edição mostrava apenas um pequeno 3X4 do ‘clã’ em volta da filha mais nova, que comemorou quatro – ou cinco – anos numa casa de festas em São Paulo. Toda semana o casal festeja o aniversário de um filho, sendo que só há dois registrados. Será que Elaine aluga crianças para aparecer na Caras? Alguém me diz o que Elaine faz efetivamente da vida?

O destaque desta semana é Sasha que, como todo filho de famoso, faz de tudo um pouco no mundo artístico. Cantora, atriz, bailarina e agora modelo. Diz a chamada de capa que ela “herdou o DNA fashion da mãe”. Até onde consigo lembrar, Xuxa usou sua herança fotográfica para fins bem menos ingênuos que a nova campanha de verão da marca Bicho Comeu. Mas enfim, DNA é DNA. Vamos ver o que Sasha vai aprontar pela frente. Ainda bem que tudo sai na Caras. Ainda bem que tenho médico na próxima quarta-feira.

Essa menina Sasha, humm, sei não
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www.ego.com.br Todos os dias, em caráter excepcional, críticas construtivas e crônicas destrutivas do mundo moderno na visão de Hermés Galvão, um jornalista antiquado.
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