11/09/2006
BIM BOM
Caetano Veloso tem opinião para tudo. Acho que é hereditário, já que Dona Canô, assim como Dona Zica (in memorian) sempre tem um parecer a respeito de qualquer assunto. A última de Caê eu li ontem em algum site, diz que o cantor-compositor-escritor acha que “há canções demais no mundo”. Bela declaração, não?
O tio-avô tropicofágico andava sumido das manchetes, passou um tempinho calado e sem soltar suas belas frases de efeito confeccionadas para gerar polêmica – qualquer uma que seja, o hobby do baiano é chocar.
Como estratégia de marketing para o lançamento de seu novo disco, apelidado de Cê, o ex de Paula Lavigne (in memorian) recorreu à imprensa para se posicionar outra vez acerca da situação do país, do mundo, de Santo Amaro e, talvez, da MPB.
Sinceramente, acho que suas últimas músicas já são chocantes por si só, sendo assim não é preciso falar mais nada. Caetano, assim como Gilberto Gil, acredita fazer parte da elite cultural brasileira. A pergunta é: será que ainda existe elite cultural no Brasil? Caso haja, quem seria? Quais os nomes mais indicados? O que faz a elite cultural brasileira atualmente? O que existe de tão elitista em nosso meio, digamos, cultural que possa merecer o título?
Elite, no nosso país, ou é marca de vaso sanitário ou é agência de modelo. Bons escritores? Não há. Bons cantores? Não há. Bons compositores? Também não. Artistas plásticos? Tampouco. O que existe, já disse isso uma vez, são os mesmos de sempre. E tudo que fazem é uma manutenção de si mesmos, recordações de velhos hábitos e releituras de antigos formatos – assim como Caetano, que desde ‘Uns’ (1983) não lança um disco para ser ouvido e reverberado.
Não há nada de novo, nem força de vontade para ser. E o olhar estrangeiro sobre nós se mantém firme na ilusão de ótica de acreditar que somos talentosos, alegres e criativos. Se a premissa é verdadeira, por onde andam os originais se até agora tudo que existe é réplica em versão one way?
Não há nada além de uma velha mania de copiar e traduzir. E ainda dizem que o povão guarda culpa, esta tão grande culpa de ter deixado o país afundar em seu próprio poço artesiano cavado às duras custas, a troco de nada.
I LOVE NEW YORK