01/12/2006
FICÇÃO BASEADA EM MUITOS FATOS REAIS:
Marisinha Rebelo sequer fora convidada para a noite de gala chez Joaninha Elisy. Ontem, resgatou da agenda telefônica o número de uma ex-amiga que talvez pudesse levá-la ao esperado placement de Natal, encontro já tradicional entre as madamas paulistanas. A senhorita Rubi, amicérrima de Joaninha, atende a chamada de Marisinha, mas logo trata de encerrar a conversa via celular. Estava no trânsito, a caminho da floricultura, e sabia exatamente as razões que fizeram a ex-companheira de tranca ligar para ela.
- Marisinha é social butterfly. Nasceu longe, sabe Deus aonde, mas chegou perto do jet set, sabe Deus como, diz Rubi, às gargalhadas, ao comentar com a amiga Florinha Olviedo o telefonema oportunista da dublê de bon chic.
- Se não fosse a falta de assunto, Marisinha estaria hoje, quem sabe, na lista de Joaninha. Com direito a um acompanhante até, reflete Florinha, inimiga mortal de Marisinha (N.E: Marisinha está casada atualmente com o terceiro marido de Florinha).
‘Par contre’, Marisinha recebeu, com alegria íntima, o convite para comparecer a outra festa levemente disputada na cidade. Quem recebe é Vina Veritas, figura carimbada e já repetida no eixo. Vininha faz o tipo cosmo girl, mas já não tem idade para saias curtas e cabelos longos. Recém-aloirada dois tons acima, mentindo a idade dois anos para baixo, Vininha está neste momento na sala de espera da clínica badalada do cirurgião plástico e esteticista Fortunato Medonha, o mesmo que transformou Marisinha em sósia de Danuza Leão. Chega a hora de Vininha.
- Doutor, só não me faz aquele implante de cabelos igual ao de Marisinha.
- Mas eu não tenho nada a ver com aquilo. Marisinha já chegou ao meu consultório com aquela franja.
- Ela me disse que o senhor havia colocado.
- E você acha que eu trabalho com tufos crespos?
Fim da consulta, Vininha deixa o consultório. Ansiosa, batendo o salto no piso de mármore – de Carrara – mal espera abrir a porta do elevador e liga imediatamente para Rubi.
- Sweet, sabe que Marisinha jamais implantou aquela franja com o Doutor Medonha...
- Bem que eu desconfiei. Lembro da festa de Izildinha Babaçu Pereira de Passos Couto Peçanha de Amoedo. Estávamos na pista de dança, um calor subsaariano, e a franja de Marisinha começou a encrespar de modo que eu sei, por experiência própria, que os apliques do Medonha jamais vencem. Honey, cancele o convite feito a Marisinha.
- Só por causa disso?
- E precisa de mais?
Sexta-feira, sete e meia da manhã. O celular de Marisinha toca ao lado do criado-mudo em pátina.
- Alô, querida. Sou eu, Vina.
- Oi Vininha, isso são horas de ligar?
- É que bateu um telefone sem fio e tout São Paulo já sabe que sua franja é uma farsa. Tive que cortá-la da minha lista.
- Escuta aqui, querida, será que tout São Paulo vai à sua festa depois de saber que seu Valentino, na verdade, um Arthur Caliman?
- Marisinha, amore, venha sim e traga quantas pessoas você quiser.