05/01/2007
GUARDA-COSTAS
Responda rápido: você preferiria morrer no auge da carreira para virar mito ou viver até o fim da linha para tornar-se mártir de si mesmo? A idéia de sair de circuito no auge da vida útil me fascina imenso, de lordose a overdose acho sincero optar pelo fim da própria história. Antes de você começar a achar que tenho inclinações suicidas, por favor leia com atenção antes de me matar de vergonha.
Falo de um enterro social, da possibilidade de se fazer ser esquecido (ou desviado) antes que a morte me separe da idéia de que o segredo da longevidade pode e deve estar no anonimato. Optar por morrer no auge da carreira pode livrar os ídolos de certos constrangimentos, por exemplo. Ou você realmente acha o máximo acompanhar as tragédias privadas de Whitney Houston ou a manutenção capilar de Roberto Carlos? Os ídolos, além de serem os mesmos, estão em franca decadência. E com a vida pública, ídolos se encaminham para o fim correndo o risco de não se tornarem mitos. Como assim? Siga-me no raciocínio.
Mitos são mitos porque estão mortos. Vivos estão os ídolos, às custas de fãs mortos-vivos. O que pode haver de mais fúnebre no mundo além da relação fã-ídolo? O rito de passagem de ídolo para mito só acontece com a morte trágica de uma das partes. Ídolos correm o grande risco de serem enterrados vivos, ou seja, esquecidos e arquivados. Tomemos o capítulo de Whitney Houston – não que ela signifique algo, mas a notícia é fresca. Vamos a ela:
Para quem pensou que Whitney Houston havia cheirado todo o patrimônio sobre a pia de um Sheraton de beira de estrada, eis que surge a notícia mais trincada do ano: acontece nesta terça-feira, em Nova York, um leilão com todos os objetos da cantora. Ao todo serão 400 objetos entre, vejam só, um piano de cauda transparente feito sob medida (ficaria perfeito no seu estúdio localizado na região da Frei Caneca), roupas Dolce & Gabbana, vestidos Versace, Fendi e Armani. Tudo em perfeito estado de conservação esperando pelas ofertas daqueles que não gozam de perfeito estado de saúde mental. Ou você sairia de casa para arrematar um Versace usado?
Não sei qual o valor do lance inicial, mas a contar pela lista acho que vão bater o martelo na cabeça do primeiro maluco que levantar a mão durante o leilão. Diz a nota que o dinheiro arrecadado será usado na quitação das dívidas da cantora. Nada pior que dever dinheiro a traficante, não é mesmo amigo clubber?
Bom fim de semana.
04/01/2007
LINHA CRUZADA
Levaram meu celular. Fui roubado por um motoboy fantasiado de trabalhador honesto. Valeu pela experiência, pois até ontem podia me gabar por ser o único carioca a não ter sofrido nenhum tipo de furto, seqüestro, estupro (?), assédio sexual na saída do shopping e banho de espuma em boate com consumação mínima.
Sem celular, a vida perde um pouco do sentido prático e me sinto neste momento como se tivessem arrancado todas as folhas das minhas páginas amarelas sentimentais. Mãe, pai, irmãos, amigos da vida toda, colegas de trabalho, veterinária, pet shop, encanador... Por um instante, ontem, achei que fosse passar a noite em branco a espera de um telefonema que já não poderia ser atendido. Sorte que meus sinais de fumaça foram lidos.
E agora vou passar o segundo dia do ano, segundo o Quiroga, na luta por um aparelho novo. Sei não, mas acho que esse roubo tem agouro de pai-de-santo baiano. Assim que adquirir meu celular prometo fazer uma lavagem de Nokias e Motorolas nas escadarias da Tim. Axé.
Paz na Terra aos homens de bem. Beijo pra você Sarah Jane. Com amor, Luiz Caldas.
03/01/2007
PLANETA ÁGUA
Minha primeira resolução para 2007 é não passar o próximo réveillon no Rio de Janeiro, o vaso sanitário mais ocupado do Brasil. Quem correu para o mar a fim de se descarregar acabou apertando a descarga e se soltando no maior festival de intestino solto e incontinência urinária do planeta.
Famílias de média renda, gringos de baixo escalão e bichas de grande porte deram as mãos para brindar, debaixo de chuva e fazendo muito xixi nas calças, a chegada do ano que promete, segundo o Quiroga e todos os pais-de-santo, muita luz e energia renovada.
Não acredito em astrologia, tampouco em ialorixá, portanto nada me faz crer que 2007 será diferente para aqueles que fizeram de Ipanema um banheiro de estádio de futebol. Desejo um ano mais higiênico para quem urinou em frente a casa dos meus pais, atrás da moita do parque onde passei a infância e dentro das garrafas de sidra jogadas no meio da rua onde, não faz muito tempo, ainda era possível atravessar descalço.
Espero que Iemanjá jogue de volta todo o lixo que sua tia de Viçosa despejou no mar onde eu costumava nadar e que tudo se realize no ano que, segundo o Quiroga e os pais-de-santo de Salvador, acaba de nascer. Dizem os astros, avisam os búzios e reza a lenda que 2007 começa hoje. A ordem vale para todos os estados do Brasil, com exceção da Bahia que só dará a largada para o ano letivo depois do Carnaval. De 2010. Epa rei, mizifi.
Aff...