10/01/2007
AVE SÃO PAULO
Atenção galinhas, alô Granja Viana, fãs do Asa de Águia, almas penadas e moradores de Moema entre as ruas Canário e Bem-te-vi: a gripe aviária ressurgiu na Ásia e já matou um garoto na... Indonésia. Já reparou que tudo de ruim acontece por lá? Avião desaparecido, deslizamento de terras, enchentes, naufrágios, tsunami e surfistas tirando onda em Bali. E em cada acidente lá se vão 20, 30 mil pessoas de uma só vez – o mesmo número de moradores de... Moema.
Você já foi a Moema? Já se ouviu falando Mo-e-ma? Já saiu com alguém de Moema? Tem alguém de Moema na sua roda de amigos? Confiaria segredo a um moemense da gema? Daria metade da minha maçã para descobrir quem foi que batizou não só este, mas vários bairros (e ruas) de São Paulo com nomes esdrúxulos. Tipo Moóca, Jabaquara, Tatuapé, Bixiga e a onomatopéia infanto-indígena Itaim Bibi.
Moema é a melhor representação de São Paulo, com suas famílias enormes, locadoras de vídeo, delivery de pizza de massa alta, barzinhos de música ao vivo e edifícios com janelas que mais parecem um pombal – nada que incomode os habitantes da Sabiá esquina com Tucuruvi.
São Paulo, assim como Moema, tem um ranço interiorano, um quase cheiro de charrete no ar. Guardadas as devidas comoções, São Paulo é tão cosmopolita quanto Campinas e tão divertida quanto Ribeirão Preto.
E neste mês de janeiro, quando paulistanos de todos os bairros e classes ciscam rumo ao balneário mais em conta, descubro que São Paulo pode ser tão pacata e pitoresca quanto Araras, por exemplo. De repente, ontem, ao olhar para a mesa ao lado daquele barzinho de bairro, descobri que todo paulistano tem um pouco de Moema dentro de si. Digas que mora Moema que te direi quem és.
Daniela Cicarelli já foi moradora de Moema, mas vôou faz tempo.