16/05/2007
TOP OF THE WORLD
Certa vez, durante uma viagem de trabalho à Suíça, sentei-me ao lado do grupo de jornalistas também convidados para conhecer o país mais bege do mundo. Bem, não é do fun tour que quero falar, tampouco das sem-gracices de Zürich ou Berna, mas de uma passagem ocorrida no encontro que reuniu, além de mim, outros cinco profissionais de médio porte – cada um vindo de um canto do mundo. Era como aquela piada que seu cunhado de Bauru adora contar: “havia um alemão, um português e um brasileiro...”.
Enfim, éramos eu, um russo, uma indiana, um sul-africano e um israelense. E para quebrar o gelo deste rendez-vous improvável, para puxar assunto, na mesa do bar, pedi para cada um dizer o nome de dez personalidades nascidas em seus países e que fossem conhecidas internacionalmente.
O russo deu a largada, mas antes de responder perguntou, em tom irônico, se nós gostaríamos que ele fizesse duas listas, uma com os vivos e outra com os mortos. Bem, foi fácil para o moscovita e todos nós sabíamos exatamente quem eram os russos por ele citados. A indiana partiu da mesma premissa e não teve grandes dificuldades para fechar seu rol, majoritariamente composto por religiosos O israelense naturalmente se perdeu na geografia e passou a contabilizar todos os judeus do mundo em sua listinha vip. Deu de Woody Allen a Golda Meir. “Todos são filhos de Israel”, repetia ele.
Por fim, já no fim da brincadeira, eu e o sul-africano começamos a suar frio. Tanto eu quanto ele sabíamos que não teríamos dez nomes para dar aos companheiros de viagem, a esta altura se mordendo de curiosidade para ouvir o que tínhamos a dizer. Fui ao banheiro, numa retirada estratégica, para ganhar mais tempo e pensar em dez criaturas brasileiras que fossem de domínio público mundial.
Ao voltar, o sul-africano já havia cantado Nelson Mandela e Charlize Theron. Ficou por aí, mas antes de desistir tentou emplacar uns nomes de uns atletas de rugby (ou cricket, o que dá no mesmo) que nem ele mesmo sabia pronunciar o sobrenome. Por fim, chegou a minha vez e não me restou alternativa senão evocar Pelé, Ronaldo, Paulo Coelho, Carmen Miranda (que era portuguesa, mas deste detalhe eles não precisavam saber àquela altura) e Gisele Bündchen. Pensei tanto em nomes mais eruditos, mas nada.
Queria um escritor, um músico, um espiritualista, um político, sei lá, alguém que pudesse encher a boca para dizer o nome. Mas nada. A partir daí parti para os menos populares e nem por isso desconhecidos. Chico Buarque? Ninguém conhecia. Caetano? Menos ainda. Xuxa? Ahahahah. Pois o mundo só conhece cinco de nós. Sendo Gisele a cabeça-de-chave.
Paz e amor, né?