21/05/2007
BEST-SELLER

Às margens da Livraria Laselva sentei e chorei. Perambulando por Congonhas, entre caixeiros viajantes e empresários de ternos mal cortados, à espera do vôo que me levaria ao Rio de Janeiro, passei por entre as gôndolas da loja para me inteirar a respeito dos livros mais vendidos do país.

Sempre lamentei o fato de o brasileiro não se interessar por literatura, mas ultimamente venho prestando atenção no aumento nas vendas e nos títulos disponíveis no mercado. Achava, até a última sexta-feira, que um povo mais letrado e interessado estava a florescer. Ledo engano.

O leitor médio de hoje está a fim mesmo de ficar rico e não quer saber de romances, biografias ou ficções generalizadas. Tampouco quer encontrar a luz de Deus no fim do túnel Rebouças, foi-se o tempo das obras de auto-ajuda.

Agora é tudo livro de passo a passo. Caminho da felicidade financeira e código de conduta. Vencedores dando dicas para fracassados. O sucesso é um segredo impublicável, por isso mesmo duvido que aquela contabilista de casa lotérica consiga sair da lama só porque está no último capítulo de “Mulheres Ousadas Chegam Mais Longe”. Nem ela vai, tampouco eu.

O avião jamais partiria àquela altura. A tripulação suada se enlatou no ônibus rumo a improvável Guarulhos e, sete horas depois, desembarca no Santos Dumont. São e salva, e com a vista cansada. Meus óculos, por favor.



P.S: Anotei o nome de alguns títulos campeões de venda. A ver:

. “Mulheres Ambiciosas Ganham Mais”;
. “Supervisão em Call Center: o Caminho para o Sucesso”;
. “Curso Intensivo de Liderança”;
. “Linguagem do Corpo e do Trabalho: Leia os Sinais e Faça os Movimentos Corretos”;
. “Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”;
. “Desenvolva Sua Inteligência Emocional”;
. “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”.



Hoje não teremos serviço de bordo.
Estaremos providenciando seu copo d'água, senhor.
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18/05/2007
MÚSICA DE PROTESTO

Luana Piovani, a atriz que não quer calar, continua triste. Tudo por causa de uma canção que não era endereçada a ela. Não, Caetano jamais poderia dedicar-lhe um hit, afinal o que Luana fez de bom e bonito para merecer uma nota musical?

No mais, se lembrarmos das musas inspiradores do baiano não poderíamos mesmo acreditar que Luana – que pelo que lembro nunca fez nada de expressivo no palco, na tela e nem na TV – seria digna de um refrão: Sonia Braga, Irene, Maria Bethânia, Vera Zimermann, Regina Casé e até Paula Lavigne. Todas elas de enorme talento e personalidade. Acho que não é o caso de Luana, que na melhor das hipóteses é apenas uma linda mulher.

Mas isso não é tudo, tampouco o bastante. Mesmo assim, SuperEgo lamenta o fato de seu desejo ainda não ter sido realizado e sugere a Luana que adote uma música já pronta em sua homenagem. Aqui vai uma relação.

. Fogo e Paixão, Wando;
. Deixa eu te amar, Agepê;
. Florentina, Tiririca;
. A Nova Loira do Tchan, É o Tchan;
. Carência, Frank Aguiar;
. Menina Sereia, Banda Calypso.

Agora um link com uma música que pode ter sido feita para Luana. Clique aqui e ouça.
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17/05/2007
VERDADE TROPICAL

Até simpatizo com a pessoa pública de Clodovil Hernandez. Acho que uma sociedade minimamente heterogênea precisa comportar pessoas deste perfil, como dizer?, inconseqüente e de certa forma corajoso. E encorajador, dependendo do ponto de vista. As verdades ditas pelo modista agridem, é vero, mas divertem. Muito.

Venho acompanhando, por exemplo, a confusão armada por ele em Brasília. Diz que chamou a deputada Cida Diogo de feia. Antes de chegar a alguma conclusão, fui lá no site da Câmara para ver a foto de Cida. Constatei que a vítima realmente não é fotogênica.

Cida faz um tipo pajé de tailleur, não sei se estava de mau humor quando bateu a chapa para o site oficial da Câmara, mas perto de suas colegas de plenário, que também mostram a cara na página, é uma mulher de predicados interessantes.

Sim, a beleza é mesmo relativa. Mas a feiúra é absoluta. Cartesiana. Agora vem a parte boa: SuperEgo, em sua eterna busca pelo belo, selecionou algumas das deputadas mais exóticas da Câmara. A ver.

Alice Portugal - PCdoB Bahia
Andreia Zito - PSDB Rio de Janeiro
Dalva Figueiredo - PT Amapá
Gorete Pereira - PR Ceará
Jusmari Oliveira - PR Bahia
A clássica Luiza Erundina
Marinha Raupp - PMDB Rondônia

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16/05/2007
TOP OF THE WORLD

Certa vez, durante uma viagem de trabalho à Suíça, sentei-me ao lado do grupo de jornalistas também convidados para conhecer o país mais bege do mundo. Bem, não é do fun tour que quero falar, tampouco das sem-gracices de Zürich ou Berna, mas de uma passagem ocorrida no encontro que reuniu, além de mim, outros cinco profissionais de médio porte – cada um vindo de um canto do mundo. Era como aquela piada que seu cunhado de Bauru adora contar: “havia um alemão, um português e um brasileiro...”.

Enfim, éramos eu, um russo, uma indiana, um sul-africano e um israelense. E para quebrar o gelo deste rendez-vous improvável, para puxar assunto, na mesa do bar, pedi para cada um dizer o nome de dez personalidades nascidas em seus países e que fossem conhecidas internacionalmente.

O russo deu a largada, mas antes de responder perguntou, em tom irônico, se nós gostaríamos que ele fizesse duas listas, uma com os vivos e outra com os mortos. Bem, foi fácil para o moscovita e todos nós sabíamos exatamente quem eram os russos por ele citados. A indiana partiu da mesma premissa e não teve grandes dificuldades para fechar seu rol, majoritariamente composto por religiosos O israelense naturalmente se perdeu na geografia e passou a contabilizar todos os judeus do mundo em sua listinha vip. Deu de Woody Allen a Golda Meir. “Todos são filhos de Israel”, repetia ele.

Por fim, já no fim da brincadeira, eu e o sul-africano começamos a suar frio. Tanto eu quanto ele sabíamos que não teríamos dez nomes para dar aos companheiros de viagem, a esta altura se mordendo de curiosidade para ouvir o que tínhamos a dizer. Fui ao banheiro, numa retirada estratégica, para ganhar mais tempo e pensar em dez criaturas brasileiras que fossem de domínio público mundial.

Ao voltar, o sul-africano já havia cantado Nelson Mandela e Charlize Theron. Ficou por aí, mas antes de desistir tentou emplacar uns nomes de uns atletas de rugby (ou cricket, o que dá no mesmo) que nem ele mesmo sabia pronunciar o sobrenome. Por fim, chegou a minha vez e não me restou alternativa senão evocar Pelé, Ronaldo, Paulo Coelho, Carmen Miranda (que era portuguesa, mas deste detalhe eles não precisavam saber àquela altura) e Gisele Bündchen. Pensei tanto em nomes mais eruditos, mas nada.

Queria um escritor, um músico, um espiritualista, um político, sei lá, alguém que pudesse encher a boca para dizer o nome. Mas nada. A partir daí parti para os menos populares e nem por isso desconhecidos. Chico Buarque? Ninguém conhecia. Caetano? Menos ainda. Xuxa? Ahahahah. Pois o mundo só conhece cinco de nós. Sendo Gisele a cabeça-de-chave.

Paz e amor, né?
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15/05/2007
HOMILIA

Enfim, o Papa foi embora. E graças ao Pai não acompanhei a temporada do sumo pontífice no Brasil, mas soube por outros que desde o nascimento de Sasha não se expunha tanto uma pessoa na mídia. Foi um bombardeio de informações, das mais fúteis às menos úteis. E o que interessa saber se Bento XVI provou comida baiana ou se dormiu menos do que o de costume?

Tenho verdadeiro pânico deste fervor cristão da América Latina. Quem dera fôssemos um país laico e desprovido de culpas e rotina pautada por mandamentos obsoletos. A maior nação católica do mundo mente, trai, cobiça, inveja, louva o nome de Deus em vão, rouba (e muito), mata, xinga a mãe e faz coisas que o diabo gosta. Só que ninguém assume.

Por isso fujo de carolas, não respeito aqueles que passam seis dias da semana curtindo o maior pecado para chegar no domingo pedindo perdão para comer uma bolacha de farinha e água na santa paz. E o que dizer dos carismáticos e seus rituais que mais parecem uma sessão exorcista, uma catarse coletiva de ensurdecer os ouvidos puros da mais angelical das criaturas?

Não sabemos da missa a metade e ainda assim o Vaticano consegue atrair um enorme rebanho carente de fé e pio em algo tão abstrato que já não se sabe por que e para quem reza todas as noites antes de dormir.

Eu só oro por um pouco de paz, sem destinatário celeste. Quem ouvir, ouviu. Seja Jesus, Buda, Krishna, Confúcio, Brahma, Sonia Hernandez, Alá, Davi, Kardec, Baby do Brasil, Calvino, Lutero ou Oxalá. Só não me peçam retorno. Faço o possível para não pedir, prefiro agradecer. E sou grato. Eternamente grato. Acho que vou para o céu. Acho.
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14/05/2007
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Afinal de contas, quanto tempo nos resta de vida? Será que vamos morrer antes de nos matarmos? Há quem diga que o mundo acabou, tem quem espere sentado pelo fim, não existe ser humano capaz de mudar os rumos da história? Um dia faz frio, em outro dá calor, já não chove há algum tempo na planície úmida do Congo e deu enchente no Irã. Os suíços esperavam pela neve que não veio, os chilenos reclamam da falta de ar frio que não sopra mais dos Andes e os franceses temem por mais um verão implacável a beira do Sena. Ouve-se falar em aquecimento global, em todas as línguas não se conversa sobre outra coisa e você aí batalhando por uma vaga no funcionalismo público. Será que o futuro é coisa do passado?

Se daqui para frente o quadro é negro, que tal aproveitarmos os últimos momentos que nos restam? Se não acabarmos, que pelo menos comecemos a ver tudo e todos sob um novo ponto de vista. Pois vamos ressuscitar, nos reiventar e partir do fim. Fazemos assim: fingimos que o mundo vai acabar amanhã e passemos a fazer o que sempre quisemos. Assumir o amor proibido, comer um pedaço a mais de bolo de chocolate, mandar o chefe para o inferno, levar a pessoa amada para ver as estrelas no terraço do prédio ou assumir os erros sem medo de tomar uma surra moral. O mundo, este, por mim, já encerrou.

Mas dá tempo de começar outra vez. Recapitulando, vamos tentar de novo. Nunca é tarde, mas isto vai deixar saudades. Tudo de podre, de fantástico, de yuppie, de vaidade, de maravilhoso, de humano. A delícia é justamente essa. Uma grande bosta quente, nunca vencida pelo tédio, a sociedade em sua grande forma física e psicologicamente raquítica. A loucura de cada um, a catarse coletiva, a falta de critério, a unidade fantasiada de comunidade.

Tenho a nostalgia de um tempo que não vivi, mas corro atrás do que passou para acordar uma nova pessoa. Acho que viver é isso: ser hoje um pouco pior que amanhã e muito melhor do que ontem. Mas já passou. E a Inês é morta. É bom estar de volta. E saber chegar no caminho certo. Não olhar para trás. E ver o que tem pela frente talvez seja a idéia de que imagino para um novo mundo. Você vem comigo?
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11/05/2007
FUMADORES

Sempre achei que o fim do mundo seria um lugar onde não conseguiríamos manter nos vícios em dia. Descobri, hoje, depois de fumar meu penúltimo filtro amarelo made in Brasil, que não há cigarros Marlboro em Santiago.

Estou em abstinência involuntária e confesso estar odiando a idéia de parar de fumar pela primeira vez por razoes que não dependem necessariamente de mim. Pensava que o ato de largar o cigarro, mesmo que por um dia, partiria de um ato nobre e de amor próprio, algo heróico causado por uma ótima razão. Mas estou sem fumar pura e simplesmente por um motivo único e intrigante: NÃO HÁ MARLBORO EM SANTIAGO. Como assim?

Chego nas lojas de conveniência e encontro um monte de supérfluos como refrigerante Canada Dry e Doctor Pepper, batatas fritas de sabores improváveis e chicletes de todos os gomos. E nada de Marlboro. Acho isso uma falta de senso comum, um erro cível e uma falha de caráter comercial.

Se o tabagismo ainda e uma pratica rebelde, levemente charmosa, deliberadamente cafona e altamente perseguida, que pelo menos deixem os fumantes terem a opção de compra. Sabe de uma coisa? O Chile largou na frente na guerra contra os fumantes ao fazer desaparecer das prateleiras o cigarro mais amado do mundo. A outra opção e Pall Mall – carinhosamente conhecido por aqui como Carajo Maldito. Eu? Nem morto. E enquanto vivo, vou ate a janela do quarto fumar o derradeiro. Sim, porque em toda Santiago e proibido fumar. Viva a subversão.
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10/05/2007
EFEITO MORAL

As autoridades sanitárias do Chile ordenam que todos os vôos procedentes do Brasil com destino ao país sejam desifentados antes da partida. E assim, uma aeromoca (onde é a cedilha neste teclado?) com cara de empanada passou diante de mim espirrando um spray com algum produto químico que me derrubou por quatro horas ininterruptas. Mais do que um mata-baratas, um gás de efeito moral devastador.

Seria aquilo uma espécie de detefon com perfume de aromas do campo? Dizia ela que o tal DDT nao agredia a saúde, de qualquer maneira a ofensa estava formada. Me senti um inseto amazonico a caminho de um país lotado de moscas mortas. Quem merecia ser dedetizado era o povo chileno, que reivindica até por um brinde melhor no Mc Lanche Feliz.

Em Santiago, ainda se fala em Pinochet. Quando nao, o tema é barricada, greve e golpe. Militar, antes fosse do baú. Os chilenos vivem a euforia passageira do dinheiro novo, a ilusao de que sao mais europeus que sul-americanos – como os argentinos.

E ao cair da noite, ao andar pelas ruas de Providencia e Vitacura, realizei o fato de que somos mesmo todos hermanos. E que merecemos, sim, levar um banho de detergente moral biodegradável. Se nao for para mudar os valores, que pelo menos mudemos de assunto. E passemos a falar da nossa própria miséria. A nao mais brigar pelo que nao vale a pena, tampouco lutar por algo que já se perdeu.

Precisamos ganhar tempo. Para chegar a algum lugar onde nao precisemos levar um jato de DDT na cara na hora de sair. A trabalho. Se fosse a passeio, tirava eu da bagagem de mao uma lata de Baygon e borrifava na franja da aeromoca que foi picada pelo bichinho do populismo.
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09/05/2007
SALA DE EMBARQUE

Odeio aeroporto. Me sinto roubado em cada café, me sinto vigiado em cada xixi, me sinto atrasado o tempo todo e neste momento misturado a um tipo de passageiro que veio ao mundo a passeio. Do meu lado direito está um rapaz de chapéu tipo cowboy falando com a namorada, provavelmente moradadora do interior de São Paulo (percebi pelo sotaque e pela ausência de plural na conversa). À minha esquerda, um suíço típico: careca, gordo e com cara de tarado. Estou num fogo cruzado, a ouvir, sem pedir, intimidades de dois homens que esperam, assim como eu, a última chamada para tirar os pés do chão.

O caipira agora anota num papel (acredita que ele ousou me pedir uma caneta?) o nome do perfume encomendado pela... Karine. Enquanto isso, o suíço bate um papo franco com a mulatinha que acaba de sentar nno computador de trás (sim, estou num cyber café a tentar pagar a fatura do cartão de crédito) e descobre que ela, olha só que coincidência, também está reservada para o vôo com destino a Zurique. Corta para a direita agora. Não consegui me conter e virei os olhos, pescoço tenso, para ler o nome do perfume que Karine tanto queria. Dolce & Gabbana, "do vermelhinho". Anotado.

Viro para o outro lado e cadê o suíço? A tomar um café com a mulata que é a tal. Daqui vejo sua bunda, enorme, redonda e mal tampada por uma calça que sabe Deus como passou pelo quadril. De lá, eles me observam e começam a tecer comentários olhando fixamente para a minha direção. Sim, fui indiscreto o suficiente para atrapalhar a evolução de mais um casal de aeroporto que se formava. Assim são os casamentos. Sempre de repente, de surpresa e bem-vindo mesmo em fora de hora. Mas quando é a hora? A hora é agora. Ai, que bom, chamada portão 14. Até já.
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08/05/2007
FAIRPLAY

Já entrei no espírito dos jogos Pan Americanos – eu e mais ninguém, desconfio. E por aqui, em terras de poucas medalhas, falar em esporte é falar em... Edinanci Alves. Para quem não sabe, Edinanci é um híbrido do judô brasileiro que vira mídia em tempos de competições. Precisou provar que era mulher para participar de uma olimpíada de outrora e os testes indicaram que, apesar de ser um homem feio, Edinanci veio ao mundo como membro viril do sexo feminino. E não frágil por isso, a atleta deu a cara a tapa (e como bateram nela, vixe maria) e mostrou para o país inteiro que era, além de mulher, uma pessoa vaidosa. Num ato de feminilidade extrema para seus padrões e peso, descoloriu os cabelos e ousou ao passar um batonzinho de leve.

Ainda assim, pelo menos para mim, Edinanci ainda se parecia com um homem – pintado para o baile das piranhas do Iate Clube de Cabo Frio. Mas nem tudo é derrota na vida de Edinanci, que ontem perdeu uma luta bobinha para uma judoca cubana que parecia não comer há umas duas semanas. Penso que Edinanci, além de nome próprio, pode vir a ser a razão social para um novo sexo explícito no mercado: além de heteros, homossexuais, bissexuais, travestis, transgêneros, transgênicos e hortifrutigranjeiros teremos o sexo ‘edinanci’.

Fariam parte deste gênero todos aqueles que, apesar de seus dotes e feições, são necessariamente componentes do sexo oposto ao que diz no RG. Exemplo? Leci Brandão, Família Lourenço, Lô, Walério Araújo (conhece? conhece?), Dudu Bertholoni, Leonor Corrêa (irmã de Fausto Silva), Marlene Mattos, Fafy Siqueira, Chico César, Biafra, Markinhos Moura, Licia Fabio, Denise Frossard, Bruno Chateaubriand, André Ramos, Chiquinho Scarpa, Daniele Hypolito, Claudia Raia, Zelia Cardoso de Mello, Luiza Erundina, Padre Pinto e, claro, Max Fivelinha. Taí, pessoal, nem gays, nem lésbicas. Todos simpatizantes do gênero edinanci.

Bú!
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07/05/2007
EARTH, WIND & FIRE

Foi um fim de semana bastante intenso. E de muito fogo. Calor de dia, documentário de Al Gore sobre aquecimento global a noite, sol a tarde e aquela chama acesa por 24 horas ininterruptas.

Correndo na praia – não me perguntem qual, mas posso dizer que é ótima –, falávamos sobre o filme, o futuro do planeta, a temperatura da água e deste outono inflamável que assola São Paulo e suas simpáticas e insólitas adjacências.

Pois o tema recorrente em todas as rodas, pelo menos nas redondinhas e nas minhas, é sobre o aumento do calor nas circunscrições da vida. O verão tornou-se a estação única, as calotas derretem, a Groenlândia vai virar mar e o mar vai virar sertão.

E findo o percurso de alguns poucos quilômetros de cooper, pensamos alto se nessa história toda de ‘global warming’ não seria possível a auto-combustão de algumas malas sem alça que poluem nossas visões e ouvidos diariamente.

Os parapsicólogos afirmam que incendiar a si próprio é tão possível quanto psicografar uma carta de amor ou entortar garfo da Tramontina, vai daí que torcemos, a partir de hoje, para que várias criaturas se queimem por si só.

Mas daí vem o dilema: mas como podemos querer que isso aconteça se sabemos que ao se incendiarem emitirão gases tóxicos na atmosfera? Você não acha que se Eliana, Chico César, Paulo Ricardo e Ruy Ohtake, por exemplo, estivessem a arder não soltariam puns demais no ar que respiramos?

E se somos ecologicamente corretos, não podemos permitir que mais toxinas fossem para o espaço, pois não? Ainda assim acredito que nossa visão seja politicamente correta. Que os chatos do planeta se queimem. É cada um por si. E Suzana Vieira contra. Contra filé. De segunda.

Liberté et egalité? J'adore Sarkozy.
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www.ego.com.br Todos os dias, em caráter excepcional, críticas construtivas e crônicas destrutivas do mundo moderno na visão de Hermés Galvão, um jornalista antiquado.
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