13/07/2007
TGI FRIDAY'S
Estamos tão longe de tudo que nos voltamos para dentro e passamos a construir, baseados em referências de revistas amenas e programas de auditório, uma identidade própria e nem por isso peculiar. Seguimos os piores exemplos, imitamos os melhores momentos quando o mundo inteiro já está a seguir cenas do próximo capítulo.
O Brasil vive um delay de 20 minutos em relação a uma boa idéia, nosso fuso é tão fracionário que até a mais pontual das criaturas chega atrasada quando o assunto é simplesmente tê-lo. Não há edição de influências. No grande estômago cultural que se deformou no país, digere-se de tudo, come-se todos, expele-se dejetos intelectuais e releituras de propostas inteligíveis, vomitivas.
E na inutilidade absorvente da inteligência nacional, criou-se o mau caráter multimídia de desocupados e esvaziados dublados de artistas experimentais. E o que faz exatamente um multimídia? Um multimídia é todo aquele que faz de tudo um pouco, e tudo que faz, faz mal. Mal feito e mal para a saúde de quem vê.
Tenho um mórbido hábito de visitar blogs e sites alheios, sempre à procura de algo que me choque, que me sorria, que me faça virar o rosto e olhar para o lado em busca de alguém que entenda o tamanho da porcaria na qual fomos metidos. Contos diários do vigário, truques de informação, jogo de palavras sem sentido que confundem o leitor comum, um semi-analfabeto de entrelinhas.
Ignorância assistida esta, a minha. Por pouco, quando muito, não caio no absurdo de procurar entender o que se passa por aqui. Passa nada, a loucura é esta. E já que é assim, sigo a me divertir, bastante, destacando as barbaridades que delinqüentes do factual apresentam para o irrespeitável público. Ando confuso, como a cabeça de quem lê.
Como diz a fraude, em recente texto de latrina, uma mistura de clown, Commedia del'Arte, butô, candomblé, vogue, samba, genderbending, clubbing, crossdressing e dança-teatro. Isso que dá sobreviver à distância dos bons olhos. Somos distantes, isolados, esquecidos. Deixaram-nos para trás e ficamos à frente de nós mesmos por falta de opção – cara a cara com uma miserável existência.
Frango ou carne?