21/08/2007
CANSEI
Já diria a estampa: “Ô Povinho Bunda”. Quando adolescente, usava uma camiseta com tais dizeres, comprada com minha mesada através do catálogo da revista Planeta Diário. Não sabia ao certo, àquela altura, o motivo exato para concordar com a máxima, penso eu, inventada por Bussunda. Hoje, se pudesse voltar atrás, teria mais cuidado com minha malha de algodão para não ter que tirá-la do corpo nunca mais. Seria uma espécie de segunda pele, quase uma tatuagem definitiva.
Pois sim, não há povo mais bundão que o nosso. E morro de vergonha dele, por me incluir nele dadas horas do dia, por me fazer excluir na maior parte do tempo. Reações primárias, raciocínio primata, mentalidade de um país secundário e periférico. Que horror, que tristeza. Dê-me um motivo para me orgulhar que prometo-te, agora, mudar de opinião e, quem sabe, até de assunto. Aliás, é o que mais falta por aqui.
Fala-se de nada, responde-se por coisa nenhuma. E você aí, sentado em frente ao computador do escritório, contando as horas para se jogar no restaurante a quilo defronte ao prédio onde trabalha há mais de dez anos e sem previsão de aumento salarial. A culpa é sua, a culpa é minha. Não há inocentes: existem, sim, indivíduos ingênuos, quase burros, ufanistas de uma categoria última.
Um país jovem, deficiente mental, retardado. Se for para sentir pena, que me deixem sentir. Só não posso cultivar a mesma raiva plantada por aqueles que esperam o pior da vida. Derrotados disfarçados de otimistas, falsos sorrisos, mentiras fantasiadas de simpatia. Acordem, mudem o disco, cortem o cabelo – pintem, se for o caso –, troquem de pele.
Mas não venham com insultos, pois o maior deles é dormir com a certeza de que o amanhã será exatamente igual ao dia de hoje. Rotina, idéia cretina, desafios abafados. Comodismo, como não? Quero que sua história aconteça. Vá à luta, mas não brigue. Dialogue. Leia, releia, preste atenção no que vos digo. E entendam o que quero dizer, de uma vez por todas. Sua vez há de chegar. Felicidades.