12/11/2007
JOVEM GUARDA
Não sou uma pessoa jovem. Reafirmei minha velha teoria sobre mim mesmo neste último sábado, quando, atendendo a convites de jovens amigos, resolvi me aventurar numa (parafraseando a juventude) balada absurdinha. Um convite, humm, vip foi colocado à minha disposição – pois já que a festa era um inferno que pelo menos eu assistisse ao fogo de cima.
Entramos no carro, eu e os jovens – de espírito – e lá fomos Marginal Pinheiros acima. A idéia de pegar uma Marginal me dá a sensação de estar não só longe de casa, mas de certa forma desamparado socialmente e vulnerável a todo tipo de ação externa, de um simples pedinte no sinal a uma buzinada saída de um Gol com vidro fumê. Enfim, quilômetro 10, 12, direita, esquerda, trânsito. Estamos perdidos.
- Ei, senhor, você sabe onde fica... como chama aquele lugar mesmo?
- É Villa sei lá o quê, responde a voz de trás.
- Ótima ajuda, pode deixar que eu me viro. Ei, senhor, por acaso...
- Segue o fluxo aí, meu amigo, e libera a bomba que o carro de trás quer encher o tanque.
Seguimos pela tangente, e chegamos ao ponto. Mas o ponto não era final e eis que descobri, ou melhor, redescobri, que o nome VIP no Brasil tem um caráter tão abrangente que a fila de carros vips era maior que a seguinte, destinada, pelo que percebi, ao público pagante. Ora, como eu não percebi isso antes se até aquele assessor de imprensa de cabelo alisado era vip?
Chegamos ao palco “indie” e de tão indie que era sequer consegui entender que língua aqueles histéricos cantavam no palco. E a platéia urrava a cada “oubrigaduu San Paolo” miado pelo vocalista da banda.... é, humm, peraí. Como se chamava mesmo aquele grupo de meninos com cara de participante de Olimpíada de Matemática?
Fomos para o main stage, um espaço menos alternativo e por isso mesmo mais taxativo. Empoleiradas sobre o camarote, uma leva de peruas loucas e louras, gratinadas nos acessórios dourados e nos saltos de acrílico, dispostas a voltar para casa na companhia de um cartão de visitas com a borda dobradinha ou, na pior das hipóteses, aliviar a sofreguidão no banco de carona em algum ponto eqüidistante entre a Radial Leste e o New Dog.
Ai, foi uma experiência jovem, e eu não entendo a juventude transviada. Voltei para casa, com meu Paul Smith sujinho da Silva, louco por uma boa ducha e algo que me fizesse ganhar o tempo com horas de sono perdidas naquela festinha de arromba. Não me convidem mais, deixe-me aqui, quietinho, que minha bossa nova é samba de enredo.
Eu fui.