11/12/2007
CASO DE POLÍCIA
Tudo na vida tem uma explicação, menos a de como é possível ter celebridades tão ignorantes como as brasileiras. Estive no Rio de Janeiro este fim de semana e tive a petulância de me juntar aos outros 2,5 mil convidados, ops, vips do show do Police no Maracanã. E lá estavam eles, os famosos – na companhia de outros famosos. Naturalmente, a maioria sequer conhecia algo além de um refrão qualquer do grupo, no máximo um Every little thing she does is magic. E foi assim: quando Sting cantava o refrão, todos pulavam e cantavam. Depois, silêncio absoluto. Daí Sting falava ‘muito obrigado’ e a macacada gritava. Em seguida, um ‘Oi Rio!’ e a turminha vip levantava o braço.
Enquanto isso, os famosos atropelavam os anônimos para poder chegar mais próximo ao palco. Sim, ator de novela tem prioridade e ai de quem cruzar o seu caminho. Leva cotovelada, mas tudo assim, meio sem querer. E suas namoradas, sempre de jeans no limite do stretch, sempre vestidas de vendedoras de loja de shopping, seguem atrás fazendo bico e cara de quem está, sim, muito bem servida sexualmente – tanto que elas nem se importam em saber que seus namorados olham para todas as garotas e, em casos especiais (e nem por isso raros) saem com elas em horário alternativo.
O custo benefício é altamente compensador, afinal, como disse a namoradinha de um amigo meu (ator, por sinal), “ele voa, mas sabe bem onde fica o ninho”. Eu juro que contei a ele que esta, por mais boazinha que seja, não é moça de bom tipo. Ou você não concorda que uma criatura capaz de falar uma frase dessas não seja capaz de engravidar num banheiro químico?
Enfim, eles estão juntíssimos. E estavam na área vip do Maracanã: ele, “vou pegar uma cerveja e já volto”. Ela? “Vou ficar aqui, gato. Adoro o Sting desde criança”. Ah, ela tem 25 anos. Nasceu no ano do primeiro show da banda no Brasil, mas ok. Mais da metade das pessoas que lá estavam sequer tinha vitrola quando Police estourou por aqui – mas isso não importa, o que valeu mesmo foi saber que meus sete anos de curso de inglês e minha coleção de Bizz Letras Traduzidas valeram para muita coisa.
Voltando ao assunto vip: gostaria imensamente de saber qual foi o critério usado para juntar 2,5 mil pessoas e dar a todas elas o título provisório de vip? O marido da Suzana Vieira é vip por que mesmo? Bicheiro é vip? Modelo que tentou dar o golpe da barriga no jogador de futebol é vip? Luciano Huck, que empurrou um fotógrafo (eu vi), é vip? Não entendi o grupo, fiquei sem saber exatamente o novo significado do termo vip. Seria very idiot people?
Mas tudo bem, saí mais cedo, bem antes do fim, e consegui evitar o embate direto com os vips no microônibus que me levaria de volta à vida. Sentado ao lado de uma desconhecida, me lembrei de como é bom me sentir vip de mim mesmo. Arranquei as pulseiras, tirei a camiseta, abri uma cerveja e cantei baixinho oh can’t you see, you belong to me...
A mocinha ao lado pergunta: - de quem é essa música? É, tem coisas na vida que não têm explicação. Mas para uma, tem: ontem não escrevi o blog porque estava no Rio, preso no engarrafamento de cerveja que foi meu fim de semana. Vai entender? Nem vou explicar. O post de hoje é tão grande que vale por ontem também d’accord? Exubera, minha gente. Até.