17/01/2008
FASHION WEEK – DIA 1
Erika Palomino sem óculos escuros
Emocracia na Bienal
E a cara de pum dos convidados

Alguma coisa acontece com as pessoas quando passam pelo portão da Bienal e entram para o mundo de Marlboro do São Paulo Fashion Rio. Parece que são acometidas por um estranho mal que as torna ainda mais ignoráveis. Estranhos em um ninho estranho, poucos sorrisos, conversas ligeiras, trocas de olhares furiosos, alguma inveja travestida de crítica, frustrações e carências profissionais.

Estou na fila A sabe lá Deus por que razão, afinal não estou ali para divagar sobre o viés do cós baixo. E olho para o lado A oposto, vejo a primeira fila preenchida de elementos vazios, pessoas cheias de si e infladas de ego, de peso, de carga horária. De tudo. Trocam segredos durante o desfile, usam o convite como disfarce de orelha e comentam o que surge na passarela ou qualquer coisa assim.

Jornalistas, estilistas, algumas passistas, talvez cambistas e todas paulistas sentam-se em cadeiras de plástico Goyana, se batem por um batom Natura e jogam sobre o colo suas maxi-bolsas laminadas de tamanha desproporção que nelas mais parece um portfólio de cartunista. Faz muito calor, os acessos às salas de desfile são pequenos currais onde cinegrafistas passam no compasso do sacrifício.

Fotógrafos ficam amontoados numa espécie de poleiro e se olhar de perto há de se ver uma meia dúzia de caipiras. Atenção que o show vai começar. Estamos no vazio de tudo, escuros numa caixa preta e pensando no que vão pensar da gente quando as luzes se acenderem. Meu Deus, que cara fazer? De tédio? Sono? Alegria? Preocupação? Na dúvida faça cara de nada, mas não pense você que é fácil fazer cara de nada. É preciso levantar o queixo, ao menos, 2 graus acima. Os olhos precisam estar vidrados no final do corredor e a testa levemente franzida.

É praxe se mostrar indisponível, ocupado demais para bater um papinho. Está fora de questão cumprimentar cordialmente aquele que você sabe quem é, mas que, pelo menos naquele instante, não lhe interessa socialmente. Ah, e se você já viu e falou com seu amigo há duas horas, não tem porque falar de novo – inclusive é permitido fingir que não o conhece ou que não o viu naquele dia.

Na feira fashion de São Paulo não vale trocar beijos, nem demonstrar carinho pela pessoa alheia. Seja frio, fique na sua. Não seja você mesmo, seja aquilo que esperam que você seja. Assim até você conseguirá se enganar, já que você só está ali para enganar os outros. E que beleza é ver as pessoas se digladiando por um convite da Osklen ou observar a jornalista muito confiante de si por ter conseguido, sozinha e sem a ajuda de muita gente, cativar seu lugar ao sol da primeira fila.

Seja mais, tenha mais. Namore, tenha um bicho de estimação, procure pessoas normais que não sofram alterações de comportamento somente por estar de credencial. Lembre que estamos em São Paulo e que, na melhor das hipóteses, o desfile mais incrível será apenas um desfile razoável. Estamos longe demais de tudo, perdidos demais no sul da América do Sul, muito abaixo de qualquer paralelo minimamente higiênico para se viver. A vida até pode ser uma festa por aqui, mas eu não gostaria de ser convidado. Tudo muito sério, business.

Maquiadores, cabeleireiros, modelos, bookers, estilistas, assessores, jornalistas, gente demais para trabalho de menos. Não há o que fazer, não há o que falar. Aos que pensam estar informando, a notícia é que eles não estão fazendo nada mais que deformar o nada formidável da vida. Uma vida sem história, sem rotina, sem fluoxetina. Cafeína e olhos nos olhos.

Um pouco mais de educação, ao menos, por um instante de seu dia. Beba o seu champanhe, abrace um poste. Pois hoje abracei uma árvore. Me senti tão ridículo que por alguns minutos passei a me achar de verdade. E de repente me lembrei da delícia que é pagar mico, passar vergonha mesmo. Falar besteiras, falar de nada, rir da própria cara e deixar boa parte do meu dia entrar por um olho e sair pelo ouvido.

Tenho os cinco sentidos inteiramente conectados. Sinto o que falo, vejo o que toco e cheiro o que faço.
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16/01/2008
PALAVRAS, APENAS

Promessa é dívida. O resto é processo. Como disse no post de ontem, vou ensinar a vocês, queridos leitores, a escrever um release utilizando o método palominiano. Aproveitando o início do São Paulo Borges Fashion Rio, vamos aprender a fazer uma crítica de desfiles como manda o figurino. Vamos nos inspirar em Erika Palomino, afinal ela é o grande nome do jornalismo de moda, a pessoa mais em voga deste momento. Assim como Magda Cotrofe só vem à tona no Carnaval, Erika só vem à luz nas semanas de moda. Pois é, Erika é a Magda Cotrofe da moda. Agora chega. Vamos ao ponto.

O esquema é o seguinte. Vocês deverão preencher os espaços em branco com as opções que estarão entre parênteses. Ao fim do serviço, releia e tenha inteiramente grátis seu próprio release. Envie para os sites ou coloque em seu portfólio. Caso o resultado não seja o esperado, tente vender seu texto como uma letra tribalista.

A coleção fez um........................................ (transe/crossover) universalizado que é um convite para uma viagem........................(lisérgica/multiétnica). As roupas são um .........................................(manifesto/reflexo) de resgate de memórias ............................. (perdidas/desencontradas), emoções ............................ (roubadas/latentes), sensação de .......................................... (opostos/perda) e jogos de esconder e .................................. (revelar/reencontrar). Houve exercícios de ................................... (montação/’passação’) na passarela, ainda mais que o mote aqui é o .................................... (minimalismo/escapismo) vigente. O estilista quis dar uma resposta fashion às ........................... (notícias trágicas/fábulas infantis) e o resultado foi bem .......................... (contemporâneo/retrô). O ato foi ............................................... (‘acertaderrerézimo’/bafo). Acionaram o ............................. (momentinho/fundamentinho) e causaram um ................................... (descompromisso/joguinho) de alma hippie. Os looks vêm mais afiados do que nunca, enterrando a imagem ....................................................... (fragmentada/acorrentada) da edição anterior. O que impressiona é a ................................. (conjugação/afirmação) de uma nova elegância que é um .................................................. (megamix/ bucolismo) de fragmentos barrocos.

Tudo isso coloca a gente numa realidade mais ................................. (cósmica/realista) e as peças dialogam bem com o ................................... (hoje/amanhã). A liberdade da proposta conferiu .................................... (androginia/fantasia) aos looks, mas dentro dessa leitura o repertório ficou sem ...................................................... (unidade/elegância). Motivada por um ............................ (perfume/flerte) de ....................................................................... (tendencinhas/exercícios) do passado, a estilista ................................. (errou/acertou) com uma edição burocrática, ................................................... (blocada/descolada) por cores e peças .............................................................. (corseletadas/brocadas). Carol fez a última entrada, ..................................................... (arrasando/abravanando) em seu total look de puro ............................ (escapismo/colecionismo) afro. Uma ............................................ (delicinha/avonts) edição de styling com .......................... (Jackson Araújo/Pedro Lourenço) mostrou uma coleção que já nasce hit, com idéias bem ...................................................... (absurdinhas/fofolitas) para a temporada.

Pronto. Agora você tem um release de moda só seu. Beijo e me liga, não é isso?
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15/01/2008
FASHION TRUQUE

Certa vez eu resolvi ser um jornalista de moda. Achava que poderia ser divertido participar de Fashion Weeks e afins e que, melhor ainda, meu chefe do jornal, ao saber que eu ‘gostava de moda’, não iria me mandar apurar buraco de aslfalto em subúrbio tampouco chacina em favela – sim, porque fui ensinado assim: quando ainda metade da redação usava máquina de datilografar, isso lá pela primeira metade dos anos 90, nem faz tanto tempo, meus chefes achavam que jornalista tinha que aprender com a miséria, subir morro e perguntar à mulher que perdeu tudo na enchente: “Como você está se sentindo?”. Bem, metades dos meus colegas que acreditaram nisso, hoje, são excelentes repórteres. De enchentes e chacinas.

Enfim, vamos voltar ao assunto moda, até porque está para começar mais um São Paulo Borges Fashion Show. Em 2001, resolvi ser jornalista de moda. E fui credenciado pelo meu veículo para cobrir (vocês sabem o que significa ‘cobrir’ no universo jornalístico, pois não?) a semana do Rio e de São Paulo. Credencial nas mãos, convites entre os dedos. Oh, não me colocaram na primeira fila. O que será da minha reputação fashion? Ih, olha lá os assistentes da Érika Palomino segurando lugar na fila A para ela. Nossa, cadê a imprensa internacional já que há 10 lugares reservados para eles?

E vai começar o desfile! Reinaldo Lourenço chega com o filho, os dois estão de óculos escuros Dior, modelo feminino, e sentam nas cadeiras destinadas à imprensa estrangeira. - Nunca vem ninguém mesmo, disse a jornalista ao lado. As luzes se apagam, surge na passarela a modelo vestida de tendência. A primeira fila olha, mas faz cara de quem não vê. Um gesto tênue entre o desatento e o desavisado, não sei.

E a fila B (eu estava na C) anotando tudo, como se um vestido resumisse a coleção, a estação, toda uma geração. Ao meu lado, a jornalista estranha meu bloquinho todo em branco, com apenas um telefone anotado. Pois eu não sabia que era preciso analisar o que estava sendo apresentado, digo, assim, com afinco. E entra a segunda, a terceira, a quinta modelo. Para mim, para o bem ou para o mal, as roupas todas pareciam iguais. A jornalista me olha e diz: “este desfile tem unidade”. Ah, tá. Pronto.

Acaba o desfile. E eu não cheguei à conclusão alguma. Vejo os jornalistas correndo para o mesmo lado (correndo mesmo, como se alguma tia loira estivesse distribuindo saquinhos de Cosme e Damião em alhures) e resolvo aderir ao movimento. Fomos todos parar na sala de imprensa, onde computadores enfileirados esperavam para ser ocupados. Sentei em um deles, abri um documento de word em branco. E o que escrever? Como começar? Falar sobre o quê? Para que tipo de público? Desespero total, o tempo passando, o próximo desfile prestes a começar.

- Alô, Bruno?
- Fala mané.
- Preciso escrever sobre um desfile que acabei de ver.
- E...?
- E sei lá, é para falar de quê?
- Do que você viu, ora.
- Mas eu não vi nada de inspirador.
- Faz o seguinte: pega o release que te entregaram, tira dali umas palavras-chave, mistura com uns termos em inglês, algumas gírias, leia a crítica de Érika para ver quais são os chavões que ela está usando agora, tipo absurdinho e avonts, mistura tudo e pronto.
- Ok. Abs.
- Depois manda e-mail com o texto para eu rir também.
- Tá.

Dez minutos depois sai meu primeiro texto de moda. Modéstia à parte, ficou incrível. Nada fazia sentido, cada frase era de uma pretensão atroz. O texto passou, entrou na primeira página, muita gente veio comentar depois que minha crítica estava excelente, realista e bem ‘amarrada’. Cheio de marra, com uma auto-confiança jamais vista (nem com fluoxetina e sessões intensivas análise consegui me sentir daquela forma), parti para os desfiles seguintes. Conclusões aquelas, críticas e reflexões. Todo mundo acreditou. Posei de jornalista de moda e por uma temporada fui levado a sério. Caíram no conto do hype, vejam só.

Foi a primeira vez que me diverti enquanto trabalhava, e minha última como jornalista de moda. Um exercício livre de deboche e, como diz a letra, “ironia a toda prova”. E aquela gente, ao se levar tão a sério, sequer percebeu que minhas linhas não queriam significar coisa alguma. E que, independente do Fause Haten apostar no preto ou Alexandre Herchcovitch “flertar com o perfume retrô sessentinha”, nada daquilo tinha a menor importância. E não tem, jamais terá. Serviu para rir, de tudo e de todos. Que sarro.

NÃO PERCAM AMANHÃ: COMO FAZER SUA CRÍTICA DE DESFILE UTILIZANDO OS MÉTODOS PALOMINIANOS.
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14/01/2008
O QUE SERA O AMANHÃ?

Quer um conselho? Nunca vá longe demais, pois lá na frente só vai ter você, sozinho, e não terá com quem dividir a conquista. Volte para o ponto de partida e anda na velocidade dos outros. Não tente ser uma pessoa a frente do seu tempo porque cada um tem o seu e para eles não existe a possibilidade de se adiantar na vida.

Atrase seus ponteiros para chegar na hora alheia, e mesmo que isso signifique um retrocesso eles hão de acreditar na sua pontualidade. Não, não corra. Não, porque sua pressa será confundida com ansiedade. E sua ansiedade será vista como doença. E daí vão te medicar, te isolar, te analisar.

Fique parado, não. Vá devagar, no compasso do mundo. Quase letargia, sabe como é? Só não se deixe abater, seja mais que você: seja aquele que acham que é você. Será uma boa vingança, pode crer.

Viva e deixe censurar, afinal o que mais podem fazer senão aproveitar seu embalo para sair do lugar, do mesmo lugar. Daquele lugar comum. O de sempre, o de hoje e de amanhã. Sim, eu fui até o amanhã e tive que voltar para o ontem para não experimentar a solitude. Agora vai, prometo ficar. Na minha.
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10/01/2008
LUGAR COMUM

Tendências me intimidam. Tenho vergonha de entrar em um hotel-boutique, por exemplo. E de ser confundido com um hóspede acidental, que não deveria estar lá – ou pior: que só está lá por acreditar que deve, custe o que custar (e como custa), experimentar o exclusivo da vida. Buscar a exclusividade tem sido das piores estratégias de inclusão social. Todos os lugares exclusivos nos excluem de certa forma, parece que eles são projetados para eliminar qualquer ranço de conforto.

Das cadeiras aos corredores, de pé direito altíssimo e caminhos infinitos que levam a um banheiro conceitual, onde não sabemos para que direção mirar o xixi, tudo parece construído com um simples propósito: o de não nos deixar à vontade sob hipótese alguma. Afinal, nada mais demodé que se sentir em casa fora de casa. Pousadas, albergues e hospedarias... Só os nomes já causam, aos modernos, uma certa repulsa.

E o que dizer dos restaurantes de comida caseira? Que coisa mais pobre, não é mesmo? Sentar-me à mesa de um bistrô fusion e passar mais de dois minutos de olho no cardápio em dúvida do que pedir tem sido deveras dramático. Mas como você não sabe o que pedir? Não conhece o menu de cor? É quase uma falha de caráter perguntar ao garçom o que significa, sei lá, blinis de canard.

E não, não faça cara de surpresa, alegria ou satisfação ao entrar em um lugar desses. Seja natural – nesse caso, natural significa ser blasé – e finja, caso não seja o caso, que tudo aquilo faz parte da sua história desde a mais tenra infância. Parece que os antigos prazeres sociais estão intimamente associados a uma nova ordem que tem como premissa deixar a pessoa com a impressão de não fazer parte de um mundo onde tudo é assinado, do talher ao bracelete. Mesmo inserido no contexto, a sensação de estar por fora é permanente. Talvez assim o cliente possa voltar e voltar quantas vezes for preciso. Até que, um dia, possa se sentir, finalmente, parte funcional de uma roda viva.

Semana passada, em Milão, descobri por acaso uma trattoria, sem nome na porta, sem maître. Sentei-me com a calma dos velhos. Veio uma cesta de pães, um pedacinho de presunto. O velho garçom me ofereceu o vinho da casa e, antes de colocá-lo na taça, providenciou um calço para nivelar os quatro pés da mesa. No prato, comida farta e um percentual de gordura terminantemente proibido na cozinha contemporânea. Fazia anos que não me sentia tão à vontade. Com tudo aquilo, comigo mesmo. A liberdade ainda é um prazer simples e barato.
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09/01/2008
UPSIDE DOWN

O mundo está dividido em dois grupos distintos: crianças que são vestidas como adultos e adultos que se vestem como crianças. Enquanto adolescentes fazem de tudo para parecerem mais velhos, os veteranos pagam um dobrado para aparentar menos idade. A questão é uma só: ninguém quer dar o braço a torcer para o tempo presente.

Adiantando o futuro ou perseguindo o passado, homens e mulheres perderam a noção do ridículo e em nome de uma liberdade de expressão mal formada acabam por inverter valores e redefini-los sem base concreta.

Vejo quarentonas dançando na pista ao som de eletrofunk, de tênis Vans, repetindo gírias de universidade; observo também meninas seventeens maquiadas e de salto alto, tentando equilibrar entre os dedos um cigarro filtro branco queimando sobre o cinzeiro do bar proibido para menores.

Olho para a rua e acompanho os passos da criança fantasiada de madura, com minissaia jeans e blusinha de paetês. Por que temos tanta pressa para chegar aos 30 e quando passamos deles tudo o que queremos é retardar o processo? Por que falamos grosso aos 17 e aos 47 rezamos diariamente para a barba cair de uma vez para nunca mais crescer?

E por que todas ficam loiras depois dos 35? E por que os cabelos ficam mais longos e as saias mais curtas no cruzar dos 40 se o movimento deveria ser justamente o contrário? Fico no aguardo das respostas.
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08/01/2008
APOCALIPSE NOW

Febre amarela, dengue hemorrágica, uma beleza de Brasil. Hepatite A na praia, malária na selva, quanta diversidade. A Organização Mundial de Saúde devia nos interditar, isolar a nação e colocar todo o território em quarentena, na UTI e sob constante observação.

Eu, se fosse estrangeiro, não colocaria meus pés aqui nem sob tortura. A comida intoxica, a água contamina, o ar sufoca. Não quero me acostumar à isso, quero passar o resto da vida acreditando que esse calor é um castigo divino e que se estou aqui é para queimar um karma terrível do meu passado ayurveda.

Tenho medo de perder tempo e de não ganhar com ele. E se o mundo acabar antes mesmo de tê-lo vivido? Ei, você, qual o sentido da sua vida? Como vai a sua saúde mental? Está em dia com a sua cabeça ou já a esvaziou a ponto de achar que está tudo como Zeca Pagodinho reza? Deixa a vida me levar? Nem pensar, meus caros, nem pensar. Me tirem daqui. Abduzam-me, oh marcianos!
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www.ego.com.br Todos os dias, em caráter excepcional, críticas construtivas e crônicas destrutivas do mundo moderno na visão de Hermés Galvão, um jornalista antiquado.
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