02/04/2008
QUEM TEM UM SONHO NÃO CANSA
Mais um “aviso de pauta” chega aos meus cuidados, lotando ainda minha caixa de e –mails. Desta vez vendendo, literalmente, a pessoa de Angela Bismarchi. Diz a nota que trata-se de “uma personagem tipicamente carioca”, pois, como continua o texto “em nenhum outro lugar do mundo poderíamos encontrar uma mulher com características para lá de peculiares e que atraia tanto a atenção da mídia, não só brasileira, mas em todo o mundo”.
Não entendi em que momento o release justifica a afirmativa de que Angela é um personagem tipicamente carioca. Seja lá qual for a razão que sua assessoria acredita torna-la tão carioca assim, gostaria de pedir desculpas em nome de todas as cariocas – por mais vulgares que a maioria delas tenha se tornado no doce balanço a caminho do mar de Ipanema, poluído e mal freqüentado.
Ah, sim, sobre o aviso de pauta. Diz que “nem só de cirurgias e carnaval vive a musa”. Ah, não? A assessoria responde: “Angela acaba de se matricular num curso de interpretação, já que se prepara para estrear no teatro”. Adorei a novidade, juro. É bom saber que, em último caso, como o dela, quando nada mais restar na vida, quando não houver mais nada a fazer, eu posso, quem sabe, me tornar ator de cinema e aparecer, como Angela, nas telas de cinema de todo o Brasil numa participação especial no filme A Guerra das Rochas, do, como diz o release, “consagrado diretor Jorge Fernando”.
Moderna era sua avó que dizia, há 60 anos, que artista é coisa de gente sem traquejo social. Mas Angela, como informa o aviso de pauta, tem lá o seu e quer, como toda menina de sociedade, terminar os estudos e ser alguém na vida. “Angela é estudante universitária, faz curso de design de moda e atua ainda como empresária do ramo de lingeries”. Nem tudo está perdido para mim. Ainda posso ser estilista. Mas seria o último passo antes do precipício social.