04/04/2008
WONDER WOMAN

Mulher-fruta, mulher rodízio, mulher isso, mulher aquilo. E nenhuma mulher maravilha. Quanta vulgaridade, não? O que aconteceu com elas? Cansadas de viver à sombra dos homens, incansáveis na luta por direitos iguais, as femininas, enfim, conquistaram sua independência.

E o que fizeram? Bem, tornaram-se melancias, cajus, samambaias, picanhas, chãs, patinhos e lagartos. Enfim, pessoas úteis para fins comestíveis. Nada contra, eu sempre achei que mulher boa é mulher gostosa e que é um luxo poder ter uma em casa assumidamente perua.

Elas é que quiseram fazer diferente e no fim das contas, depois de queimar todo um estoque de sutiãs, voltaram ao ponto inicial e hoje, mais do que nunca, a mulher nada mais é que uma calcinha recheada. Que seja, é bom ser assim. Um objeto de cobiça.

PS I love you: Reconhecer um erro é questão de evolução. E hei de admitir que não ando muito bem lá da cabeça – vide o post de ontem. Pois estou a 20 dias do meu aniversário e entende-se por inferno astral o período que antecede a data querida. Me desculpem por esses últimos assuntos, prometo descansar no fim de semana e voltar com tudo na segunda-feira. Estou em crise, dobrei a medicação e talvez a próxima semana aconteça diferente. Até lá.
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03/04/2008
AMÉRICA LATRINA

Os brasileiros Amarildo Melo, à esquerda, e Edemar Antonini apresentam no Salão Internacional de Invenções de Genebra, na Suíça, uma privada que economiza água. Em vez dos 9 litros de água utilizados normalmente em uma descarga, o equipamento criado por eles gasta apenas 3 litros.



Ô POVO BUNDÃO
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02/04/2008
QUEM TEM UM SONHO NÃO CANSA

Mais um “aviso de pauta” chega aos meus cuidados, lotando ainda minha caixa de e –mails. Desta vez vendendo, literalmente, a pessoa de Angela Bismarchi. Diz a nota que trata-se de “uma personagem tipicamente carioca”, pois, como continua o texto “em nenhum outro lugar do mundo poderíamos encontrar uma mulher com características para lá de peculiares e que atraia tanto a atenção da mídia, não só brasileira, mas em todo o mundo”.

Não entendi em que momento o release justifica a afirmativa de que Angela é um personagem tipicamente carioca. Seja lá qual for a razão que sua assessoria acredita torna-la tão carioca assim, gostaria de pedir desculpas em nome de todas as cariocas – por mais vulgares que a maioria delas tenha se tornado no doce balanço a caminho do mar de Ipanema, poluído e mal freqüentado.

Ah, sim, sobre o aviso de pauta. Diz que “nem só de cirurgias e carnaval vive a musa”. Ah, não? A assessoria responde: “Angela acaba de se matricular num curso de interpretação, já que se prepara para estrear no teatro”. Adorei a novidade, juro. É bom saber que, em último caso, como o dela, quando nada mais restar na vida, quando não houver mais nada a fazer, eu posso, quem sabe, me tornar ator de cinema e aparecer, como Angela, nas telas de cinema de todo o Brasil numa participação especial no filme A Guerra das Rochas, do, como diz o release, “consagrado diretor Jorge Fernando”.

Moderna era sua avó que dizia, há 60 anos, que artista é coisa de gente sem traquejo social. Mas Angela, como informa o aviso de pauta, tem lá o seu e quer, como toda menina de sociedade, terminar os estudos e ser alguém na vida. “Angela é estudante universitária, faz curso de design de moda e atua ainda como empresária do ramo de lingeries”. Nem tudo está perdido para mim. Ainda posso ser estilista. Mas seria o último passo antes do precipício social.
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01/04/2008
VENTO

Minha primeira fuga se deu há 25 anos. Como todos os dias às cinco da tarde, esperava por minha mãe na porta da escola e o tempo resistia em passar. E ela nada de chegar. Os alunos iam embora com suas babás e motoristas. E eu à espera da Brasília bege, que era a minha redenção, minha carta de alforria diária. Era a liberdade que não chegava.

Certo dia, mais cansado de aguardar que o de costume, faminto, resolvi conferir a teoria de meu pai que dizia que se nossa cabeça passasse por uma fresta o corpo inteiro também passava. E não é que deu certo? Passei pela grade da escola, atravessei a rua, peguei o ônibus vermelho – naquela época, os ônibus cariocas eram coloridos e cada amarelo, verde, azul e vermelho, claro, nos levava para os quatro cantos da cidade.

Entrar num coletivo aos oito anos foi a experiência mais libertária que tive na vida. Sentei-me no banco unitário, abri a janela o máximo que podia e coloquei a cabeça para fora. O vento, os barulhos, as conversas das donas em pé, o olhar indiferente do trocador... tudo ainda é tão fresco na minha cabeça. E hoje, quando vocês lerem este post, podem ter a certeza que estarei em algum lugar entre o Atlântico e o Pacífico com a cabeça para fora da janela, à espera de novos ares.
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31/03/2008
EU BREVO, TU BREVES

Serei breve. Escrevo este post às quatro da manhã de um sábado. Será o meu último contato até a volta. E sabe quando você ainda não foi, mas não pensa em retornar? Vou fugir de mim, correr atrás de outro dia. Porque ontem já era e hoje tenho tanto para viver que tremo só de pensar que não vai dar tempo de fazer tudo que sonho. Parto com pinta de foragido, pois sempre fui assim. Estar de partida, para mim, é partir ao meio para me reunir outra vez. Porque sou aos pedaços, aos montes. Sou um exagero de pessoa. E sei que posso transbordar a qualquer momento, como agora. Até breve.
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28/03/2008
FRENTE FRIA

Eu sei lá, viu. Antes que o mundo acabe decidi ir ao fim do mundo e de amanhã até a próxima quinta-feira estarei em alto mar, a caminho da Antártida. Lá não pega celular, nem tem wi-fi e isso para mim é o paraíso na Terra. Imagina só ficar isolado, sem ouvir barulho de nada e nem de ninguém? Pois nem que eu queira, não há como me encontrar ou ser visto e, na melhor das hipóteses, o máximo que poderei topar é com o Amyr Klink seduzindo uma gangue de focas.

Decidi viajar para me desligar, despressurizar, limpar a alma e, quem sabe, ver ao vivo mais 400 quilômetros quadrados de calota de gelo se desprender do continente frigorífico. Jornalismo investigativo é isso aí: vou in loco acompanhar, em cores, os efeitos do aquecimento global, ou como dizem os hispânicos, “acalentamento de la Tierra”.

A viagem começa em Ushuaia, no sul do sul da Argentina. De lá parto de navio rumo a um sul ainda mais ao sul, onde o vento faz a curva e os oceanos Atlântico e Pacífico se encontram. E dizem que a travessia do Cabo Horn é das mais perigosas do mundo: tô pagando pra ver. Eu acho que perigoso mesmo é atravessar a minha rua e ser atropelado por um motoboy sem filiação.

Estou pronto para partir, feliz por não precisar ler jornal, site, revista e fanzine para saber o que acontece aqui em cima, isto sim um fim de mundo literal. Mas quando eu voltar, espero que todos os BBB tenham desaparecido, que o romance de Claudia Jimenez seja reconhecido pelo código civil, que a dengue não tome minha família de assalto, que meu cão Nuno continue bem acompanhado e que ambos estejam mortos de saudades de mim.

Sentirei a minha falta nessa jornada que se inicia. Espero deixar aqui minhas partes menos íntimas e voltar menos frio, talvez. Quero calor quando regressar. Humano.
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www.ego.com.br Todos os dias, em caráter excepcional, críticas construtivas e crônicas destrutivas do mundo moderno na visão de Hermés Galvão, um jornalista antiquado.
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