08/04/2008
A BUNDA ABUNDA
Mônica Mattos é uma atriz pornô de São Paulo, já estrelou 300 filmes nacionais e seu papel nas telas é versátil - de dupla penetração ao mais romântico dos anais. Foi a primeira brasileira a ganhar o Oscar do cinema erótico americano e fez por merecer: em uma de suas atuações, no já clássico “Devassa – As Brasileirinhas”, Mônica transa com dez homens ao mesmo tempo e na maior naturalidade, como se estivesse no quarto de casa, bem à vontade. Mas é isso que faz uma boa atriz, atuar na ficção como se vivesse aquela realidade. E Mônica é a prova viva disso e levou a estatueta de melhor atriz estrangeira.
Pronto, nosso primeiro Oscar veio de um filme de sacanagem. Mais coerente, impossível. Nada de Fernanda Montenegro, nem Sonia Braga – que, aliás, merecia ao menos uma indicação ao Oscar erótico por conjunto da obra: todas as suas participações em longas-metragens e seriados nos Estados Unidos tiveram uma conotação, como dizer?, apelativa. Foi sapatão em Sex and the City, prostituta reformada em um filme obscuro onde contracenava no feno com dois rapazes, caranguejeira real em O Beijo da Mulher Aranha e por fim, Gabriela reloaded em Luar Sobre Parador, sem dúvida uma das dez piores produções de todos os tempos. Agora corta.
Ontem parei em frente a banca de jornal e fiz a conta: de quinze revistas voltadas para o público feminino, daquelas de dieta, moda e beleza, oito mostravam na capa atrizes e modelos sorrindo de costas. A bunda em primeiro plano, o megahair loiro em segundo e por último a cara – que era de bunda. Pois é, somos mesmo uma grande bunda, gigante pela própria natureza. Uns bundões.
Uma vez, lá pelos anos 90, tive a oportunidade (vamos colocar assim) de cobrir pela revista Caras – meu passado é um cocô – as eliminatórias e a grande final do concurso A Nova Loira do Tchan. Lá estava eu, na sala do Teatro Fênix, no Rio, esperando pelo resultado, ao lado do fotógrafo. Fausto Silva, este sim a bunda em pessoa – já reparou que a bunda dele é para frente? – anuncia a vitória da bunduda Scheylla Mello. Emocionada, ela sai correndo pelo corredor e é abordada por mim.
- Ei, Scheylla, vamos fazer uma foto?
- Claro! Como você quer?
- Como você quiser.
E Scheylla vira-se para a câmera, empina a bunda e flash! Foi a primeira foto oficial de Scheylla como famosa. A primeira de muitas outras focadas em sua tão grande bunda. Imagina passar a vida sendo apenas uma bunda? Que fascinante, não? E tem tantas outras bundas famosas que nem me lembro mais como eram as caras de suas donas. Lembro da bunda da Claudia Egito, da Márcia Dornelles, da Enoli Lara, da Rose di Primo e da Magda Cotrofe, mas sou capaz de bater de frente com elas na rua e passar batido. Talvez por isso elas só andem de ré.
Ainda voltando no tempo. Em 1993, Madonna se apresentou no Brasil, isto é, no Rio e em São Paulo. Chegada a hora de mostrar seu português para o público, ela disse: “E aí, bunda suja?” O povo foi ao delírio. E repetiu com ela inúmeras vezes bunda suja, bunda suja, bunda suja. Ela chamou o Maracanã inteiro de bunda suja e 120 mil pessoas assinaram em baixo. Realmente uma mulher moderna, adiantando tendências e prevendo o futuro – mesmo que óbvio. Pois nossa bunda é suja mesmo, sempre foi, e ainda assim tem quem queira. E é tudo que querem de nós, é tudo que temos para dar. Somos uma bunda, a Big Bunda Brasil.