18/04/2008
REI
Roberto Carlos sempre me despertou curiosidade. Passei a mais tenra infância querendo saber qual de suas pernas é a mecânica, qual a marca do seu shampoo e o que as mulheres vêem (ou sentem) nele. Para mim, Roberto Carlos é a única incógnita do showbizz mundial, o homem mais misterioso da Terra e o soberano de um reinado povoado por senhoras de alta estirpe e domésticas de baixa renda. RC é um fenômeno.
Nunca se soube nada a seu respeito, digo, nada que tivesse saído de sua boca. Tudo a seu respeito não passa de especulação – inclusive o capítulo sobre a perda de um dos membros inferiores. Fui a alguns de seus shows e passei algumas horas de olho em seu andar, na esperança de que um passo em falso revelasse a verdadeira identidade de sua perna biônica. E nada, nada me fez ver e, por conseqüência, acreditar que o rei era manco. Deve ser intriga da oposição.
Sou a seu favor, e parece que o tempo também. Roberto Carlos não envelhece, não fica doente, não vai a restaurantes, nem bares, muito menos boates. Roberto Carlos nunca foi visto comendo uma picanha na brasa ou andando no calçadão de Ipanema. Roberto Carlos talvez não exista, talvez seja um holograma, um replicante, um ET. Ninguém sabe o que Roberto faz para manter os cabelos e sua franja em dia, não há registros de compras feitas por ele em lojas caras ou supermercado.
Nenhum escândalo envolvendo seu nome foi manchete de jornal, nem hoje, nem nunca. Desde a Jovem Guarda, tudo que sabemos de Roberto Carlos é que ele tem uma mãe, Lady Laura (que naturalmente nunca foi vista), que se casou algumas vezes, que tem algumas filhas, algumas manias e uma carreira que jamais passou por maus momentos. Do Canecão ao navio, de um acústico bem elaborado a um show cafona em cruzeiro marítimo, RC é um sucesso de público. E por ele, acredito, a crítica não precisaria sequer existir. Falar mal de Roberto Carlos não deve levar a lugar nenhum. Não conheço uma pessoa no Brasil que diga “Eu não suporto Roberto Carlos”.
E ontem, ao saber que ele lançou um perfume que leva o nome de seu hit maior, “Emoções”, senti no ar o cheiro de mais um sucesso sob sua chancela. Certamente, a fragrância deve ser um horror, mas sou bem capaz de um dia passar na loja e dar uma borrifadinha no pulso só para saber que cheiro tem o “Emoções”. Pois tenho curiosidade em tudo que diz respeito a Roberto Carlos. E se tudo que ele tem para dar é uma fragrância de farmácia, que assim o seja. Vou sentir Roberto Carlos. Porque hoje, mais do que nunca, se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi. I love you, Roberto Carlos.