02/05/2008
FREEDOM 90
Eis me aqui para dizer que a liberdade é meu maior exercício de vida e tenho o prazer de experimentá-lo neste momento. Sou aos instantes e nem por isso vivo apenas de momentos porque nunca estou aos poucos. Sou demais, vivo à beira, estou no limite daquilo que eu penso ser e do que eu penso do que pensam de mim. E por mais que me sinta incompleto posso dizer que já me basto com o mínimo de que tenho.

Ser livre é uma loucura e os homens não suportam os loucos, errantes em sua mania de querer consertar o mundo com dois parafusos a menos na cabeça. Tenho em mim uma insanidade indecifrável e que remédio nenhum acalma, por horas dá-me agonia saber que mais adiante é escuro e quem nem por isso mudarei de direção, pois só faço sentido quando percebo o desconhecido. Parece que faço pouco caso de mim mesmo, uma espécie de auto-indiferença involuntária – é como se eu não existisse de fora para dentro. É como eu.

Ando tão cheio de mim que devo transbordar a qualquer momento. E assim esvaziar-me para, então, encher-me outra vez. E assim por diante. E adiante. Desculpem a demora, estava longe. Não que eu esteja muito perto agora, mas hei de fazer contato. Bom fim de semana.

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05/05/2008
GATE 15
E aí pessoal. Já estou a caminho. De volta. Agora ouço vozes em português, famílias amontoadas com suas malas protegidas por plástico colorido, sobretudo sintético com tênis Nike, cabelo com a raiz preta, excesso de bagagem e malandragem, delírios baratos no Free Shop e muita fila para o embarque na econômica.

Estou ansioso para chegar logo e saber por onde andam nossas travecas heroínas – pelas fotos que vi mais pareciam porteiros de peruca. Também quero saber que história é essa de ciclone no sul – a propósito, houve outro terremoto no sudeste? E o pessoal do Nordeste, ainda está de baixo d’água? E no Norte? Continua queimando tudo? E no Centro-Oeste, como vão vocês? Ainda morrendo de calor e achando o máximo Cora Coralina?

Bem, a aeromoça me chama. Acabou-se a temporada. Volto já. Praí e pra cá, espero eu. Mas enquanto eu estiver em trânsito, por favor, discutam aqui o episódio da semana passada. Quero ver vocês, leitores, falando o que pensam sobre aqueeeeele assunto. Não me decepcionem. Au revoir e a bien tôt.
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06/05/2008
SOPA DE LETRINHAS
Adoro nomes e sobrenomes artísticos. Fico a imaginar nossos atores e atrizes escolhendo, com a ajuda de um numerólogo, a alcunha que irão atender na profissão, se a partir dela o sucesso virá a jato ou se junto a ela o público irá assimilar imediatamente o nome a pessoa.

Desconfio que apenas uma mísera parcela da crasse artística utiliza sua razão social de batismo para trabalhar. Não acredito, por exemplo, que Monique Alfradique possa, de fato, ter sido registrada assim. Aliás, descobri a existência de Alfradique neste fim de semana, ao ler nos sites especializados que sua festa de 22 anos “bombou” de artistas & amigos no Rio de Janeiro. Havia seis imagens na galeria de fotos, o que mostra que realmente seu aniversário foi um arraso.

Mas voltando ao assunto: adoraria saber como funciona a logística do ritual de batismo das celebridades. Quem lhes conferem os nomes artísticos? Será que os ‘senhores dos nomes’ são seres gordos e poderosos (imaginem o Wolf Maia) que passam o dia numa sala do Projac, toda prateada com inserções, glup, artísticas de Hans Doner, pesquisando sites, livros, oráculos e bulas de remédio atrás de nomes para os próximos globais?

Quem será que inventou o termo Malvino Salvador? E Pitty Webbo? Será que foi o mesmo que criou Marcélia Cartaxo? Eu sei lá, achava que em terra de Zora Ionara quem tinha um Selton já era rei. Mas ao saber da existência de Monique Alfradique tudo mudou.
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07/05/2008
MENS SANA IN CORPORE SANO

O ex-big bundão Marcelo Arantes rendeu mais uma notinha nos sites, talvez a última. A notícia diz que o psiquiatra “inaugurou” seu consultório médico no Rio. E que ele irá dividir o espaço com um dermatologista. Bem, nunca vi alguém inaugurar sala de consulta, nem psiquiatra atender ao lado de um dermatologista.

Mas pensando bem deve ser bom: imagina você sair deprimido da sessão, depois de ter falado sobre seu passado reprimido, e aproveitar o momento para pedir uma receita de um creme para controle da oleosidade no rosto? Ou então comprar um pacote com os dois especialistas e na compra de uma análise freudiana levar inteiramente grátis uma limpeza de pele? Isso sim que eu chamo de terapia ocupacional.

Para o futuro, imagino que os negócios da dupla poderão evoluir para e daqui a uns anos imagino a “inauguração” de, quem sabe, um salão de cabeleireiro na porta ao lado com manicures de plantão e camas de bronzeamento artificial. Daí o paciente – ou a vítima, vai saber – mata três cajadadas com um coelho. Psiquiatria, dermatologia e estética.

E numa previsão mais otimista, para daqui a uns anos, um centro de cirurgia plástica para fins puramente frívolos destinados aos que não conseguiram se curar da obsessão pela beleza com o Dr. Marcelo, que não conseguiram melhorar a aparência com o dermatologista e que não conseguiu ficar nem um pouco menos feio com o staff do cabeleireiro.

Acho que é isso, imagino que Marcelo Arantes deva me escutar. Pois uma coisa leva a outra, e o segredo do negócio está aí, no círculo vicioso.
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08/05/2008
LOST

Nunca podemos acreditar que somos verdadeiramente bons. Porque é um mal comum achar que somos únicos, insubstituíveis, infalíveis, inatingíveis, invencíveis. Falha nossa em ter tamanha pretensão, a de se encher de certezas e de jurar não precisar de ajuda quando se está no auge. E o auge dura tão pouco, o declínio é uma constante invariável, diminuta, implacável.

Vivemos os 30 uma vez e a partir disso é uma sucessão de anos passados, corridos. E por mais que possamos parecer absolutos, somos todos relativamente frágeis e cheios de inseguranças. Não saber o dia de amanhã é das mais cruéis previsões divinas para o ser humano.

Se Deus realmente existe, se Ele de fato é um pout-pourri de energias e emoções díspares e desencontradas eu não vejo razão para crer em sua existência como força superior. Somos todos tão fracos, nós e Ele. Porque Ele somos nós, ouvi dizer. E Ele está em cada um de nós, é o que falam. Mas se não somos nada, se realmente somos tão insignificantes assim, um ou um bilhão, concluo que nada existe em sua forma conhecida.

Nada disso é verdade, somos todos inventados. Deus é uma farsa. E o truque é acreditar. Em qualquer coisa que se sinta. E sinto agora que nunca fui verdadeiramente bom. Porque assim me foi falado. É assim que a vida acontece.
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09/05/2008
AS FEIA

Acho que um dos primeiros spams que eu recebi na vida veio de uma boa alma que fez o favor de criar uma galeria com fotos antigas de várias celebridades brasileiras. O título do trabalho se chamava “não existe mulher feia, existe mulher pobre” e apresentava atrizes e cantoras, de Carla Perez a Claudia Raia, em dois momentos da vida: antes de depois da fama, ou melhor, antes e depois de ficarem ricas e assim promover um verdadeiro extreme makeover em suas caras. Bem, isso foi há uns dez anos, mas até hoje recebo este spam e meu espanto ao ver as imagens é o mesmo daquela época, como se eu nunca tivesse visto aquilo antes. Um clássico da web, ora pois. E ontem, no meio da tarde fria de São Paulo, recebi mais uma versão. Hoje vou dividir com vocês.







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12/05/2008
MAMAS AND THE PAPAS

Ontem, dia das mães, que emoción. Todas as senhorinhas que passam o ano todo debruçadas sobre o fogão tiveram seu dia de alforria e com isso a oportunidade de ver a luz do sol, a rua e o movimento graças a iniciativa de seus maridos pouco participativos.

Donas de casa que uma vez por ano deixam de cozinhar para, então, ao lado da família, almoçar fora. E lá foram elas e todos eles, rumo aos restaurantes a quilo, cantinas e endereços indicados pela Veja.

Passaram boa parte da tarde de domingo numa fila a espera de um prato de lasanha aos quatro queijos com molho branco. As véia nunca são levadas para canto algum e quando alguém as tira do tanque é para deixá-las de pé, com senha na mão, aguardando uma mesa de doze lugares para comportar seu rebanho – inclusive sua própria mãe, de 98 anos, que se estivesse em boas condições físicas e psicológicas jamais aceitaria participar de um programa desses.

Pois tornou-se uma convenção social levar as mães para comer na rua no segundo domingo de maio – e nos outros domingos vida normal, com todas de pano de prato na mão. Só um filho desnaturado é capaz de levar a mãe para fazer porta de birosca e ainda submetê-la ao mesmo cardápio que ela faz em casa todo santo dia.
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13/05/2008
RESSUSCITA-ME!

SuperEgo vara a madrugada e descobre, num par de horas, o paradeiro de algumas caras e bundas que povoou o imaginário coletivo da crasse média brasileira nos anos 80 e, forçando uma barra, na década de 90 também. São mulheres que um dia foram consideradas a frente do nosso tempo, mas o tempo passou e elas ficaram para trás – o que comprova a tese que os últimos serão os primeiros e, numa análise mais boêmia, que ri melhor quem rir por último. Ou vice-versa.

No site de Núbia Óliiver percebi que ela adicionou mais um “i” em seu sobrenome, na vontade de ver sua carreira deslanchar. Só não consegui entender o que ela faz de fato, mas navegando por seu site oficial tive a oportunidade de ler uma entrevista feita com ela. E por ela mesmo. No título, “Núbia Óliiver por Núbia C.F. de Oliveira”. E as respostas são todas em terceira pessoa, ou seja, Núbia sofre de tripla personalidade. Li toda a matéria e fiquei sem saber o que ela faz da vida e que sua carreira, de fato, despontou para o anonimato.

Narjara Turetta também tem seu site oficial, onde reúne fotos antigas, relatos de sua vida como vendedora de água de coco numa barraca em Copacabana, telefone de contato, número de pager e uma novidade: agora ela oferece palestras com o tema “O Poder do Entusiasmo”. Disponível para empresas. Ela se vende: “Invista na capacitação profissional de seus funcionários levando até a sua conceituada firma a palestra da atriz Narjara Turetta”.

Mari Alexandre tem um fã clube oficial. Mas ao abrir a página não aparece nada além dela. Ninguém assina uma linha do que está escrito e não há endereço fixo de seu tal fã clube, ou seja, Mari Alexandre não tem fãs. E na seção ‘agenda’, não há nada programado para a... atriz? Cantora? Modelo? Qual é mesmo a profissão de Mari?

O mesmo acontece no site de Mara Maravilha, onde o último evento agendado data de 10 de abril. Já o de Simony está vazio desde 2006. Sebastiana Gouvêa (a.k.a Nana Gouvêa) também está com a agenda folgada, e diz que está preparada para encarar qualquer desafio que sua carreira lhe impuser.

E dos fundos do baú, diretamente da idade média, quatro endereços úteis para quem achou que o revival dos anos 80 se resumia ao look da sua amiga blogueira. O primeiro deles é o site oficial de Enoli Lara – atriz, escritora e escultora. Lá ela conta segredos de alcova, relacionamentos com famosos e detalhes do desfile de carnaval quando exibiu a nudez total e foi “tocada” por 20 homens.

O segundo é o de Suzy Camacho, para quem não se lembra, atriz do SBT que namorou o Gilliard. Mas ao visitar seu espaço descobri que ela virou psicóloga e que atualmente é colunista do jornal Tremembé News.

O terceiro site é o de Terezinha Sodré, que dispõe de telefone de contato mas em momento algum diz por qual razão deveríamos contactá-la. Seria para trazê-la de volta à Terra?

E o último, o mais dramático, é o da atriz, ainda atriz, Maria Cláudia. Alguém se lembra? Nem ela, acho. Entre galeria de fotos, biografia, filmografia e afins, ela disponibiliza um abaixo-assinado “pedindo sua permanência na mídia -- tv, cinema e teatro -- para a nossa alegria, eternos admiradores desta estrela. Comentários e sugestões sobre o site também são muito bem vindas!” Eu não assinei nada, mas pronto. Taí, minha filha, tu tá na mídia outra vez.


Oi, eu sou a Laleska. Alguém tem um papel pra mim?
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14/05/2008
ELZA

Demorou, mas aconteceu. Hebe Camargo teve as jóias furtadas em sua própria casa. O crime se deu na noite seguinte à festa de inauguração de uma nova ala em seu palacete no Morumbi. As preciosidades estavam num pequeno cofre, que acabou sendo levado pelos bandidos. Seriam eles convidados da apresentadora? SuperEgo, ansioso como sempre, sai na frente da polícia e aponta seus suspeitos:

a) Gugu Liberato
b) Ronaldo Esper
c) Desirée Vignoli
d) Winona Ryder incorporada em Adriane Galisteu
e) Ninguém. Hebe está gagá e não sabe aonde guardou os diamantes
f) Christiane Torloni fazendo a Haydée
g) Claudia Jimenez para presentear Roddrigo Phavannello
h) Algum ator do SBT sem grana para pagar o aluguel
i) Pepita Rodrigues, para justificar o nome artístico
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16/05/2008
A OUTRA BANDA DA BUNDA

Gretchen tem uma sobrinha, de nome Caroline que, por sua vez, é prima de Tammy e filha de Sula Miranda. Família bacana, essa. Caroline, diz a nota, irá ocupar o posto que um dia pertenceu à sua tia e pretende, a partir de agora, brilhar soberana como a rainha do bumbum.

Ela, que era evangélica até o ano passado, decidiu perseguir a carreira de dançarina e cantora, seguindo, diz, a sua intuição e, por assim dizer, seu instinto genético. Bem, de janeiro até agora já surgiram no país cerca de cinco novas bundas ambulantes, pertencentes às mulheres melancia, filé, uva passa, chã, patinho e lagarto. E nesse tempo não apareceu nenhuma cantora, atriz ou artista plástica.

Sabe, tem sido complicado viver cercado de gente bundona, que anda para trás e enxerga para baixo. Acho que vou me juntar ao exército de bundas moles, saracotear por aí até o chão e viver aos flatos, atolado no cocô de um Brasil cada vez mais flácido.

Não tenho um pingo de respeito pela nossa gente, não acredito em nada que se diz por aqui e, sinceramente, morro de vergonha ao ter que assumir publicamente que sou parte desta cagada generalizada que virou isto aqui. Pois digo ao povo que fico. Por não ter para onde ir.
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www.ego.com.br Todos os dias, em caráter excepcional, críticas construtivas e crônicas destrutivas do mundo moderno na visão de Hermés Galvão, um jornalista antiquado.
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